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Moda

Grávidas e sobreviventes de cancro num desfile de moda polémico em Nova Iorque

A marca americana Chromat encheu a passerelle da Semana da Moda de modelos bastante diferentes. Foi aplaudida de pé.
Foto de Chromat.

A Semana da Moda de Nova Iorque começou na sexta-feira, 6 de setembro, e só termina no sábado, 14. Durante nove dias, marcas como Louis Vuitton, Tommy Hilfiger, Ralph Lauren e até a cantora pop Rihanna apresentam as suas propostas para as próximas estações.

Este é um dos eventos mais importantes do ano, contudo, já teve melhores dias ou, digamos, edições. Nas últimas viu desaparecer Abloh, Rodarte, Altuzarra, Thom Browne e Alexander Wang, que decidiram mudaram-se para outras cidades, como Paris e Los Angeles, e mostrarem por lá as suas coleções.

Uma modelo grávida.

Embora alguns críticos achem que a Semana da Moda de Nova Iorque possa estar a passar um mau bocado, Tom Ford, o novo chairman do espetáculo — e conhecido por ter ressuscitado a Gucci em 1990 — prometeu em várias entrevistas que esta edição funcionaria como o início uma nova era.

“Quero uma exposição global sobre a criatividade que encontramos em Nova Iorque. Tudo é muito egocêntrico neste país. É por isso que os estilistas americanos mais conhecidos se vão embora”, disse à “Vogue” americana em julho.

O primeiro sinal de que tudo está a mudar aconteceu este sábado, 7, durante a apresentação da Chromat, uma marca muito usada por celebridades como Beyoncé, Nicki Minaj, Madonna, Taylor Swift ou Ellie Goulding.

Propostas arrojadas.

Para celebrar os 10 anos de existência, a empresa americana fez um desfile polémico, que primou, sobretudo, pela diversidade. Ao som da rapper Rico Nasty desfilaram modelos grávidas, com filhos, sobreviventes de cancro da mamã, de vários raças e tipos de corpos.

A primeira a surgir na passerelle foi Veronica Pomme com um fato de banho azul em veludo. Tess Holliday, a famosa modelo plus size, também foi escolhida pela estilista Becca McCharen-Tran para mostrar as propostas para 2020.

No final, o desfile não acabou sem que Rico Nasty cantasse um tema ao vivo, ao mesmo tempo que as modelos davam a volta à passerelle e eram aplaudidas de pé. McCharen-Tran apareceu para agradecer e não conseguiu conter as lágrimas.

Mais tarde, nos bastidores e em entrevista à “Vogue” americana explicou o porquê de se ter sentido tão comovida. “Não esperava começar a chorar no final, mas senti-me tão impressionada e agradecida. É preciso muita gente para fazer isto [o desfile diversificado] acontecer.”

Também este domingo, a Tommy Hilfiger mostrou que quer ser, cada vez mais, uma marca inclusiva. Para isso, 80 por cento dos manequins que surgiram na passerelle da Semana da Moda de Nova Iorque eram negros. Blesnya Minher, que já foi capa da “Vogue”; Winnie Harlow, a primeira modelo com vitiligo a tornar-se famosa; e a muçulmana Halima foram algumas das manequins que mais se destacaram.