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Covid-19: “Adiámos o casamento por amor. Queremos dar abraços e beijinhos”

João e Ana, nomes fictícios, tinham a cerimónia marcada para 30 de maio. Alteraram a data para 1 de novembro.

O 6 de outubro de 2018 foi verdadeiramente especial para Ana (nome fictício). Contudo, o dia começou por não correr bem. “Estava com três amigas em Madrid numa girls trip. Assim que saímos do apartamento começaram as peripécias. Perdemos os bilhetes do autocarro e só nos apercebemos já longe, tivemos de apanhar um Uber e uma delas deixou a máquina fotográfica lá dentro”, conta à NiT.

Tudo isto fez com que o grupo só chegasse ao Parque de El Retiro à tarde, com umas sanduíches que tinham comprado à pressa para o almoço. “Estava com tanta fome que me sentei no meio de uma rotunda. Elas começaram a tirar fotografias e a certa altura, sem eu perceber o porquê, tinha três telemóveis apontados para mim.”

O motivo, Ana descobriu poucos segundos depois. João (nome fictício), com quem namorava desde maio de 2013, estava ali mesmo, a abraçá-la. “Fiquei completamente surpreendida. Já tinha falado com ele nesse dia, tinha-me enviado fotos do gato e do vizinho e, de repente, estava ali”.

O momento seguinte foi digno de um filme. O jovem consultor informático de 30 anos ajoelhou-se e pediu Ana em casamento. “Disse logo que sim, claro. Não estava mesmo à espera.” A seguir, o casal ligou aos pais através de vídeo chamada para contar a grande novidade e João regressou ainda nesse dia para Portugal de avião.

“Ele foi super querido. Disse-me que o objetivo dele estava cumprido e queria que eu continuasse a viagem com as minhas amigas como tinha planeado”, conta. 

Um mês depois, com noção do que tinham para planear, o casal começou a tratar dos preparativos. “Começámos por escolher a quinta, na zona de Setúbal, e a conservatória. Depois marcámos o casamento para 30 de maio de 2020. Queríamos que fosse numa altura em que não fizesse muito calor, mas também não estivesse chuva. Achámos que este seria um mês seguro”, explica à NiT.

Para o grande dia, Ana e João convidaram cerca de 150 pessoas. Estava quase tudo tratado, vestido de noiva quase pronto, quando o casal começou a perceber que a pandemia de Covid-19 podia fazer com que o casamento tivesse de ser adiado.

“Sigo um grupo de noivas no Facebook e comecei a ver que as de março e abril iam adiar a cerimónia. Percebi que isto estava mesmo a ficar complicado. Conversei com o João e juntos decidimos também tomar essa decisão. Sabíamos perfeitamente que a situação ia ficar pior e não queríamos arriscar”.

Ana e João começaram por transmitir esta vontade aos pais, que concordaram totalmente. A seguir, falaram com todos os convidados. “Toda a gente compreendeu perfeitamente a razão. Quando dissemos que a nova data era a 1 de novembro até houve mais gente a dizer que podia ir.”

Quando os jovens comunicaram à quinta que queriam adiar foi-lhes pedido para aguardarem. “Disseram-nos para esperarmos até abril porque estavam a fazer estas alterações por ordem cronológica e ainda estavam a tratar das cerimónias anteriores. Mas nós decidimos ser proativos. Sabíamos que a nossa data era em final de maio e se seguíssemos essa lógica, era provável já não haver datas disponíveis este ano e depois só casávamos em 2021.”

Felizmente, como foi tudo tratado com tempo, os custos das alterações não vão ser elevados. “A conservatória que tínhamos escolhido já não tem datas, por isso tivemos de optar por outra de mais longe. Vamos ter de pagar a deslocação da pessoa que for até à quinta.”

Além disso, só a lua de mel vai ter um custo extra. “A mudança de datas fez com que pagássemos mais 125€ cada um. Vamos passar oito noites às Maldivas e três ao Dubai. Aproveitámos e adicionámos uma nestas últimas. Depois de tudo isto, bem que merecemos”.

Ana tem noção que no meio de toda esta confusão, acabou por ter sorte. “Se não tivéssemos decidido logo adiar o casamento, provavelmente iríamos pagar muito mais porque perdíamos os sinais que tínhamos dado aos fornecedores, se eles não estivessem mais disponíveis este ano.”

No início, a também consultora informática de 27 anos ficou realmente triste perante este cenário. “Senti-me um bocado frustrada. Estava quase tudo pronto, já começava a sentir aquela ansiedade boa de ir casar. De repente, vejo tudo ser adiado por meio ano. Agora, com a cabeça mais fria já percebi que foi o melhor que fizemos.”

Para saúde e segurança de todos, o casal sabe que tomou a melhor decisão: Estamos a adiar a celebração do amor por amor. Queremos poder abraçar, dançar, dar beijinhos à vontade. Temos convidados em grupos de risco e não podemos ser irresponsáveis.”