NiTfm live

Moda

Diga adeus ao couro animal: há uma nova pele vegetal feita de cacto e algodão

O cliente pode escolher a espessura, cores, texturas, suportes, resistência e flexibilidade. No fundo, tudo é personalizado.
Um substituto mais ecológico.

Os mexicanos Adrián Lopez e Marte Cázarez nasceram no mesmo dia, do mesmo mês e no mesmo ano. Apesar de terem a mesma nacionalidade, conheceram-se anos mais tarde, em 2011, em Taiwan. Adrián viajou até a ilha asiática para estudar Política e Economia Global na Universidade Tamkang. Marte já era formado em Negócios Internacionais e mudou de país para aprender chinês.

Juntos decidiram desenvolver um material sustentável para a indústria da moda, ramo em que os dois já tinham experiência. Foram necessários dois anos de investigação e vários testes mal sucedidos até chegar até o produto final: uma pele orgânica de cacto.

O Desserto é um tecido livre de crueldade animal, de produtos químicos e parcialmente biodegradável. A matéria-prima principal é a Opuntia ficus-indica — uma família de cactos que não precisa de irrigação, possui espinhos muito pequenos, é resistente ao frio e que permite uma produção contínua ao longo de todo o ano.

“O cacto possui muitas propriedades cosméticas como champô e cremes. Então, dissemos ‘se é bom para a pele, porque não criar pele?’. Foi assim que esta ideia nasceu”, disse Marte Cázarez ao jornal mexicano “El Heraldo“. 

“Muitas pessoas disseram-nos que éramos loucos. Até nossos engenheiros disseram-nos que isto não podia ser feito. Dissemos ‘como não?’ Estamos no México, somos mexicanos, qual é a matéria-prima existe para explodir? O cacto cresce sozinho, não precisa de muita irrigação e não gasta muita água. Foi aí que começamos a ir atrás de espécies e, após vários testes, conseguimos escolher um material resistente”, acrescentou Adrián López ao jornal.

O produto tem durabilidade mínima de dez anos. A pele falsa pode ser personalizada e o cliente pode escolher a espessura, cores, texturas, suportes, resistência ao rasgo e à tração, e flexibilidade, de acordo com o gosto e a necessidade do mercado.

Numa outra entrevista ao site brasileiro “Ciclo Vivo“, Adrián López explicou como é o processo de fabricação da pele orgânica. Sem matar a planta, a equipa corta as pencas maduras para serem limpas e esmagadas. A seguir, elas são secas ao sol por três dias consecutivos. A etapa seguinte é refinar a trituração até atingir um nível adequado de pulverização. 

O cato é a matéria-prima.

“Depois, uma proteína presente no cacto é extraída deste pó por meio de um método de congelamento. Finalmente, é feita uma mistura, patenteada por nós, entre esse extrato e o pó de cacto, entre outros aditivos naturais que nos permitem fazer a ligação molecular entre a química sintética e orgânica, para preservar o desempenho, a estética e a qualidade do material a ser fabricado”, contou Adrián.

O que resultou deste processo pode ser misturado com algodão ou a poliéster reciclado, dependendo do pedido do cliente e do produto final a ser fabricado com o tecido. Assim, o Desserto tem tudo para torna-se uma matéria-prima ideal não apenas para a indústria da moda, como para móveis, artigos de couro em geral e até na indústria automóvel.

Neste momento, a empresa dos amigos mexicanos — batizada de Adriano de Marti — possui dois hectares de plantação de cactos, mas pode aumentar a capacidade de cultivo em 20 vezes. Atualmente, a produção é de 500 mil metros lineares por mês de pele vegetal.

A pele vegan Desserto foi oficialmente apresentada ao público na exposição Lineapelle, em Milão, Itália, no início de outubro de 2019.

Pode ser usado em carteiras e sapatos.