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Lojas e marcas

O apelo viral que pede aos portugueses para comprarem às pequenas empresas

Cristiana Rocha é sócia-gerente da marca MIA & Co. e foi quem teve esta ideia nas redes sociais.
MIA & Co. vende fatos de banho e bodies.

Estávamos em junho de 2019 quando Cristiana Rocha e Daniela Costa decidiram criar a MIA & Co., uma marca portuguesa sediada em Guimarães que vende fatos de banho e bodies. As propostas — dentro das tendências de moda — tornaram-se rapidamente num sucesso.

Devido ao surto de Covid-19, a micro-empresa sentiu uma quebra das vendas nas últimas semanas. Contudo, decidiu tornar esta fragilidade numa oportunidade de apelar aos portugueses para comprarem tudo aquilo de que precisam aos negócios mais pequenos.

Assim, Cristiana deu a cara por um vídeo no Instagram que está a ser bastante elogiado. “Venho fazer um apelo pós Covid-19. (…) A economia está a cair e nós, empresários de micro, pequenas e médias empresas, corremos o risco de perder os nossos negócios, mas para mantermos a economia a girar peço que sigam estes quatro pontos” — começa assim o apelo de cerca de um minuto.

A seguir, a jovem empresária dá as sugestões que os cidadãos devem seguir: “Existe um minimercado nas vossas redondezas? Comprem lá. Precisam de arranjar uma peça de roupa? Arranjem na costureira que vive na vossa rua. Precisam de um fotógrafo ou de um personal trainer? Contratem o trabalhador independente. Querem encomendar o vosso jantar? Encomendem dos novos e pequenos estabelecimentos de restauração da vossa cidade”.

À NiT, Cristiana explicou o objetivo desta campanha. “É sensibilizar as pessoas para as mudanças inevitáveis que vão ocorrer e para a consequente adaptação necessária por parte de todos à nova realidade que se avizinha. Todos nós temos influência direta naquilo que é o desenvolvimento, ou não, das micro, pequenas e médias empresas. Foi com base nessa premissa que decidimos fazer valer o potencial da Internet como meio de comunicação para incentivar as pessoas a desencadearem um comportamento diferente e colaborarem com estas empresas”, diz. 

Ate porque, diz a famalicense, há empresas nacionais muito boas naquilo que fazem. “As marcas portuguesas têm qualidade e é importante que ganhem o seu lugar no mercado. Há muitos bens que podemos adquirir em pequenos comércios e gostaríamos que, quando assim o quiserem e puderem, recorram a marcas totalmente portuguesas, que trabalham todos os dias para colocar o ‘nome’ de Portugal nas ‘bocas do mundo'”.

Nas últimas semanas, a MIA & Co. já começou a adaptar-se a uma muito possível nova realidade. “Numa fase inicial, logo que nos apercebemos da rápida evolução do vírus e das suas consequências, decidimos, por unanimidade, parar a distribuição. Numa segunda fase e depois de garantirmos todas as condições de higiene e segurança, voltamos a disponibilizar o nosso site para compras online. No entanto, uma vez estagnada a produção, vai haver, inevitavelmente, impacto na coleção que ia ser lançada neste verão de 2020.”

Como Portugal ainda não está em altura de praia, foi na venda dos bodies que houve menos procura. “As quebras foram sentidas, como seria de esperar, porque as pessoas têm a consciência de que os nossos produtos não são um bem essencial e, nestas circunstâncias, não é uma prioridade adquiri-los, o que, honestamente, achamos legítimo.