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Ugly makeup: a tendência de maquilhagem que se tornou viral na quarentena

É imperfeita, caótica e pretende testar os limites da beleza convencional. No fundo, é ideal para personalidades irreverentes.
É sempre bem arrojada.

Chama-se ugly makeup, ou maquilhagem feia, numa tradução livre para o portugês, e é uma forma imperfeita e caótica de se maquilhar. No fundo, o objetivo é ir além dos conceitos de beleza convencionais e marcar um statement pessoal.

Apesar do nome, nem sempre significa que a maquilhagem tem de ser especialmente feia — terá é de ser ousada. A tendência não é nova, mas tem crescido e tornado-se viral nas redes sociais neste período de quarentena, devido à pandemia do novo coronavírus.

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Surgiu em 2018, com a makeup artist e ativista Eszter Magyar. A artista húngara, sediada em Berlim (Alemanha), criou aquilo a que chamou de “revolução ugly makeup”.

Com uma forte componente social e política, é comum que este tipo de maquilhagem apresente algo de grotesco, como pérolas coladas à pele, palavras escritas a preto na cara, lábios de cores berrantes, criando visuais agressivos, chocantes, ou por vezes até com um toque infantil.

O importante é libertar a imaginação e criatividade, muitas vezes com desenhos ou mensagens associadas. Rosanna Meikle, ex-aluna da escola de maquilhagem The Makeup School, em Auckland (Nova Zelândia), faz parte deste movimento.

Quando ainda estava na escola, Meikle quis fugir ao “mar de miúdas bonitas, olhos esfumados e lábios preenchidos”, que encontrava por todo o lado, explica ao jornal inglês “The Guardian”.

Certo dia criou algo totalmente inesperado para um trabalho da escola. Pintou uma modelo com tinta de várias cores, desenhou cobras, e pintou os lábios de laranja — o look aparentemente feio, tornou-se um sucesso.

“Não tem a ver com ser feio, o importante é a irregularidade. Feio é apenas uma palavra que te faz prestar atenção”, destaca Rosanna Meikle, que entrou no movimento por querer quebrar os estereótipos que são divulgados através de selfies nas redes sociais.

“O facto de existir uma cara-tipo tão específica associada às selfies diz-nos que os retratos são menos a expressão individual e mais uma expressão da ideia do que uma mulher jovem é”, escreve a autora Autumn Whitefield-Madrano, no livro “Face Value”, editado em 2017.

“Olhar para algo feio e perceber inesperadamente que nos agrada, é um momento raro e precioso que nos força a reconsiderar os limites do que consideramos necessário para que algo seja bonito”, refere Julia Lee, uma designer de Singapura, citada pela mesma publicação.

Pode conhecer mais looks através da hashtag #uglymakeup no Instagram. Entretanto, carregue na galeria e conheça as maiores tendências de maquilhagem deste ano.