beleza

Lavei o cabelo, a louça e até os dentes com o mesmo produto durante uma semana

O sabonete da Dr. Bronner’s pode ser usado em 18 situações do dia a dia. Pelo menos é isso que a marca garante. Será que é mesmo assim?

Podia ter corrido melhor, convenhamos.

Quando disse pela primeira vez aos meus colegas da NiT que existia um produto que prometia limpar praticamente tudo o que eles conseguiam imaginar, ninguém acreditou em mim . Depois de muita discussão a tentar explicar todas as vantagens de utilizar apenas um sabonete para lavar cabelo, corpo, dentes, louça, chão e até mesmo o cão, chegámos a um consenso: alguém tinha de se chegar à frente para provar se isto era mesmo verdade. 

A discussão começou porque queria ter uma desculpa para contar a história de Emanuel Bronner, o homem que criou a marca Dr. Bronner com rótulos cheios de mensagem de amor, paz e a apelar à união da humanidade. Bronner fugiu da Alemanha, em 1929, quando tinha 21 anos, em direção aos EUA para escapar à ascensão do partido nazi. Começou a pregar a sua filosofia de vida em universidades americanas e acabou por ser detido, internado numa ala psiquiátrica e submetido a terapias de choque que o cegaram.

No meio de uma vida que poderia ter sido o enredo dos livros “Uma Série de Desgraças”, de Lemony Snicket, Bronner criou uma empresa que ainda hoje continua a vender o famoso sabonete, Dr. Bronner’s, para todo o mundo. Segundo a marca e o próprio Emanuel, o produto pode ser utilizado para diversos fins. “Cara, corpo, cabelo — comida, pratos, limpar o chão ou animais”, pode ler-se no site.

Para acabar com as teimosias dos céticos da redação, passei uma semana a testar este produto de acordo com as indicações da marca e houve tempo para tudo: lavar a cara, o cabelo, os dentes, a roupa, a louça e até conseguir dar um banho rápido ao cão, que apesar de não gostar muito da brincadeira ficou a cheirar a laranja. 

Um dos rótulos da marca, carregado de mensagens de paz.

No primeiro dia preveni-me e evitei lavar o cabelo. Já tinha sido avisada pela nossa editora executiva, Sofia Cação, que talvez não fosse a melhor ideia do mundo, até porque o sabonete é super concentrado e feito à base de óleos. Infelizmente, não consegui escapar por muito tempo e esta foi talvez a pior parte deste desafio.