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Viajantes compram voos com escalas para poupar dinheiro — mas isso pode ser ilegal

As companhias aéreas estão fartas desta estratégia e querem processar os clientes.
Já há um site que faz o cálculo por si.

Imagine uma viagem que passe pelos destinos Lisboa, Madrid e Paris. Mas o passageiro decide ficar em Madrid e o lugar da viagem até Paris fica vazio. Porquê? Provavelmente, a viagem direta de Lisboa para Paris seria mais cara.

Este fenómeno chama-se skiplagging e tem gerado um enorme debate entre as companhias áreas. De acordo com a revista online “Simple Flying“, a United Airlines já disse até que esta prática é ilegal. Mas em novembro último um tribunal espanhol considerou que os passageiros da Iberia — Líneas Aéreas de España não poderiam ser multados por fazerem skiplagging.

A mais recente companhia aérea a agir em tribunal foi a Lufthansa, que processou um passageiro que terá, deliberadamente, pagado um bilhete sem querer chegar ao destino final. Neste caso, o passageiro comprou bilhete de Oslo, Noruega, para Seattle, EUA, com escala em Frankfurt, Alemanha, por 657€.

No regresso, de acordo com a companhia, o passageiro terá voado de Frankfurt para Berlim com um bilhete separado. A empresa alemã reclama 2112€ mais juros a este passageiro, que diz ter poupado 2769€.

A “Simple Flying”, que teve acesso ao documento do tribunal, diz que a ação foi recusada: a instituição reconheceu as razões da Lufthansa mas considera que o cálculo do bilhete necessita de transparência. De acordo com o jornal “Independent”, as companhias defendem que os preços mais elevados são “um prémio” pela viagem não ter paragens. 

O fenómeno está de tal forma vulgarizado que até existe um site “especializado” em encontrar estes voos — chama-se Skiplagged. A partir de Lisboa, o site não conseguiu encontrar resultados, mas de Paris para Lisboa, por exemplo, já existem algumas ofertas.

Um voo que saia de Paris-Orly rumo a Madrid, da TAP, com paragem em Lisboa, fica mais barato (custa 76€) do que um voo “sem paragens” com a mesma data (22 de fevereiro). De acordo com este site, a viagem sem escalas ficaria em 229€, na companhia portuguesa. 

No entanto, em fóruns da especialidade, vários viajantes frequentes avisam que a poupança com este método é esporádica e não compensa o risco.

A “Simple Flying” deixa ainda um aviso sobre as malas: se quiser ser um praticante de skiplagging, deve levar apenas bagagem de mão, de outra forma as malas irão parar ao destino final. E claro, arrisca-se a um processo das companhias.