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Vereador de Nova Iorque sugere que se façam enterros nos parques públicos

A cidade é o epicentro da pandemia nos Estados Unidos e os responsáveis já começaram a preparar os piores cenários.
Nova Iorque está deserta.

Chamam-lhe a cidade que nunca dorme e é talvez ali que a diferença mais se faz notar. Os táxis amarelos, as pessoas a andarem como formigas entre quarteirões e os elevadores a subir e a descer nas grandes e altas empresas foram trocados por silêncio e ruas vazias. Tal qual um filme de ficção científica.

O novo coronavírus nasceu com força na China, chegou à Europa com epicentro em Itália, mas é nos nos Estados Unidos que bate todos os recordes mundiais do número de mortos. E por ali, o estado de Nova Iorque é o epicentro da pandemia, registando até à data de escrita deste artigo 4758 vítimas mortais.

No dia 1 de março foi confirmado o primeiro caso de infeção no estado de Nova Iorque. Tratava-se de uma mulher de Manhattan, na casa dos 30 anos, que contraiu a doença numa viagem ao Irão.

Desde o primeiro caso, o surto avançou e expandiu de forma extraordinária, como se tem comportado, aliás, na maior parte dos países. Porém, acredita-se ter chegado agora ao pico da pandemia e, de acordo com os últimos dados divulgados este domingo e segunda-feira, 5 e 6 de abril, é até possível que o pico tenha acontecido no final da semana passada.

No domingo, registaram-se 594 mortes, nesta segunda-feira, 599 — números impressionantes, mas mesmo assim relativamente menores do que no final da semana passada, quando ultrapassavam as 600 por dia.

Andrew M. Cuomo, governador do estado de Nova Iorque, referiu, citado pelo “New York Times”: “Se estamos a estabilizar, estamos a estabilizar a nível muito elevado e há um stress tremendo no sistema de saúde.”

Cuomo tem repetido, aliás, incessantemente a importância de os cidadãos cumprirem as regras de distanciamento social e que o bom tempo que se fez sentir no fim de semana passado foi uma tentação para muitos relaxarem — o que nunca pode acontecer.

Neste momento, existem 130.689 casos confirmados naquele estado, dos quais 16.837 estão hospitalizados — 4504 nos cuidados intensivos.

De acordo com o governador, todos os doentes têm tido camas, ventiladores e profissionais de saúde ao seu dispor, apesar da pressão sentida no sistema de saúde devido ao elevado número de casos. Os ventiladores, por exemplo, têm sido movidos entre estados e dentro destes de acordo com as necessidades.

Alterações na vida escolar

Os exames do ensino secundário, que acontecem sempre em junho, foram já cancelados. Estes exames determinam a nota final dos alunos que completam o equivalente ao nosso liceu e permitem ingressar nas universidades.

Em agosto, acontecem os exames de segunda fase. Por enquanto, não é certo se esses serão também cancelados, nem como se procederá o final deste ano letivo para estes estudantes.

Na quinta-feira, era ainda esperado o início das férias da Páscoa (ou spring break). No entanto, as férias foram canceladas e os alunos terão de continuar a estudar à distância, como têm feito desde o início da quarentena, a 20 de março.

Enterros em parques públicos

O vereador Mark Levine anunciou esta segunda-feira, num conjunto de tweets, ser possível a necessidade de enterrar vítimas da Covid-19 temporariamente em parques públicos, uma vez que as morgues e os hospitais enfrentam dificuldades face ao elevado número de mortos.

“Será feito de forma digna, ordeira e temporária. Mas será pesado para todos os nova iorquinos”, referiu. Porém, esta situação só irá avançar se os números se mantiverem ou piorarem.

Ruas fechadas voltam a abrir

Na cidade de Nova Iorque, um projeto piloto de encerramento de algumas ruas irá terminar, após duas semanas. A iniciativa começou com o objetivo de arranjar mais espaço para os peões, impedindo o trânsito nessas ruas.

Porém, são necessários 80 polícias para fechar cada rua. E, de acordo com as autoridades da cidade, o número de beneficiários não justifica os meios despendidos.

Redução do crime

Na cidade de Nova Iorque, e um pouco por todo o estado, o crime tem descido durante o período de quarentena. Na cidade, o número de crimes desceu 43,3 por cento entre os dias 18 e 24 de março, quando comparado com o período homólogo em 2019.

No resto do estado, os números são ainda mais significativos, com uma queda de praticamente 69 por cento.