Viagens

Tudo o que precisa de saber sobre a turbulência nos aviões

O avião não pode cair por causa da movimentação do ar, mas ela está a ficar cada vez mais frequente — e mais forte.

É o pesadelo de qualquer viajante. Quando a turbulência atinge um avião, até os passageiros mais controlados dão por si a pensar no pior. Depois de verificarem cinquenta vezes se o cinto está bem apertado, as mãos continuam a tremer (e a suar), a perna direita não para de dar pulos e os olhos estão sempre à procura dos assistentes de bordo em busca de conforto.

Faz sentido que tenha esta reação. Afinal, está preso dentro de uma máquina a 35 mil pés de altitude. Parece óbvio que aquela movimentação de ar possa deitar o avião abaixo. Certo?

Errado. Mas já lá vamos. Antes disso, importa começar por perceber o que é afinal a turbulência. Durante um voo comercial, ocorrem mudanças de temperatura que provocam o aumento do dióxido de carbono. Isto resulta em diferentes níveis de fluxo de ar, que provocam a turbulência nos aviões.

De um modo geral, estes fenómenos são inofensivos — provocam apenas um ligeiro desequilíbrio no avião, da mesma forma que as ondas do mar agitam um barco. Quando a turbulência é mais forte, porém, os carrinhos da comida voam de um lado para o outro e os passageiros saltam dos bancos.

Apesar das situações de pânico serem frequentes — basta procura “turbulência” no YouTube para ser bombardeado com centenas de vídeos assustadores —, há muitas ideias erradas sobre este fenómeno. Não, o avião não pode cair, e de um modo geral é extremamente inofensivo. No entanto, há de facto cuidados a ter — assim como a consciência que está a ficar mais forte e frequente.

Há seis factos importantes que precisa de saber sobre a turbulência nos aviões.

1. O avião não pode cair

Apesar de provocar ataques cardíacos em praticamente todos os passageiros, a turbulência não é assim tão grave. Na verdade, é completamente impossível que as rajadas de vento atirem o avião para o chão. Ele pode abanar muito, mas não vai entrar em queda livre. Vejamos desta forma: a turbulência é tão normal num voo como a agitação das ondas num cruzeiro.

2. A turbulência não é inofensiva

O avião não pode cair descontrolado por causa da turbulência, mas esta pode danificar o avião. Atenção, a probabilidade é mesmo muito pequena. Mas pode acontecer.

Em 1966, os ventos a 225 quilómetros por hora causaram a destruição da cauda de um Boeing 707 que saiu de Tóquio em direção a Monte Fuji. O avião caiu e ninguém sobreviveu. Porque é que estamos a contar-lhe esta história aterradora? Porque desde então, os aviões estão muito mais resistentes. Como já dissemos, não é impossível. Mas ganhar o Euromilhões também não, e isso não significa que algum dia vá enriquecer.

Mais frequentes são os acidentes provocados durante episódios de turbulência, uma consequência direta da não utilização de cintos de segurança. Entre 1980 e 2009, três pessoas morreram devido a este fenómeno — um era comissário de bordo, os outros dois passageiros que não estavam a usar cintos.

3. Os pilotos sabem quando é que vai haver turbulência

Na maioria dos casos, os pilotos sabem que as condições de turbulência estão a aproximar-se e podem ativar o símbolo dos cintos de segurança para garantir que nenhum dos passageiros se magoa. Os pilotos também têm acesso a relatórios meteorológicos pré-voos, relatórios de outros aviões e radares no cockpit.

4. Há um tipo de turbulência que ninguém consegue prever

As turbulências em áreas de céu limpo não são identificadas pelos instrumentos dos aviões. Como não é possível prevê-la, podem acontecer acidentes em pleno voo — como uma bebida quente a voar do carrinho da assistente de bordo ou um passageiro que viajava sem cinto de segurança. Apesar de tudo, conforte-se: são fenómenos muito raros.

5. Esta turbulência está a ficar mais frequente (e forte)

A conclusão é de um estudo realizado por Paul Williams, investigador da Universidade de Reading, no Reino Unido. O culpado? As alterações climáticas.

“Quando pensamos no aquecimento global, geralmente pensamos que está a ficar mais quente no nível do solo, mas a verdade é que as temperaturas estão a aumentar na atmosfera, incluíndo onde os aviões voam a 35 mil pés de altitude”, disse o especialista Paul Williams, da Universidade de Reading, no Reino Unido.

As alterações climáticas explicam, assim, o aumento constante de incidentes na última década. Em todo o mundo, dezenas de pessoas morrem todos os anos em acidentes com aviões particulares e muitas centenas ficam feridas nos voos comerciais. “À medida que o clima muda, a probabilidade de encontrar turbulência no seu voo aumenta.”

6. Será que algum dia vamos conseguir evitar a turbulência?

Estamos a caminhar nesse sentido — uma das preocupações das companhias aéreas tem sido precisamente testar tecnologias capazes de evitar a turbulência de todo. Em 2013, estava a ser desenvolvida um mecanismo laser capaz de detetar a movimentação do ar em áreas de céu limpo — aquela que é impossível prever, portanto.

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