NiTfm live

Viagens

Tenerife quer banir a construção de torres de pedras

Uma campanha realizada pelo governo espanhol pretende alertar para as consequências ambientais destas construções.
São populares no Instagram.

Estão por todo o lado. Desde as escadas que dão para o rio Tejo no Terreiro do Paço, em Lisboa, às mais remotas praias da Austrália. A prática de construir torres de pedras tem milhares de anos (durante a pré-história, por exemplo, era usada em estruturas defensivas) e há quem lhe atribua benefícios para a saúde mental, como relaxamento e concentração.

Na Playa Jardín e em La Caleta, no Tenerife, as construções são tantas que já se tornaram parte da paisagem. Mas esta prática popular no Instagram tem um efeito nocivo para os ecossistemas da ilha. As pedras servem como casa a alguns organismos vivos — como plantas que são essenciais para a saúde do solo e servem de alimento aos insetos — e quando são retiradas colocam em risco a sobrevivência destes seres.

Um grupo de ativistas locais associou-se ao governo do Tenerife e criou uma campanha que pretende consciencializar os visitantes para a ameaça que as construções representam para o ambiente. O mote é “#PasaSinHuella”, que significa em tradução livre “não deixes vestígios”, e a ideia é acabar definitivamente com as construções de pedras. 

Em meados de julho, um grupo de 150 voluntários juntou-se para desfazer todas as torres da praia em Puerto de La Cruz, que ficou nivelada em cerca de meia hora. Mas esta ação não resolveu o problema: no dia seguinte as torres já tinham sido reconstruídas.

Em declarações ao jornal “El Día”, Jaime Coello, diretor da Fundación Telesforo Bravo-Juan Coello que se associou à campanha, afirmou que “é necessário impor medidas sancionadoras àqueles que continuarem a construir estas torres”. A possibilidade de uma proibição legal está a ser explorada e o governo está a preparar cartazes de sensibilização para distribuir pela ilha.