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Tartarugas em risco nascem numa praia deserta graças ao coronavírus

O isolamento afastou as habituais multidões que enchem o areal da praia brasileira em Paulista.
Sem pessoas por perto é tudo mais bonito

O que é que acontece quando os seres humanos se fecham em casa e saem do caminho da natureza? Cenas como esta, onde uma centena de tartarugas-de-pente — uma espécie em risco e protegida — percorreram o areal em direção ao mar, sem qualquer obstáculo humano.

O fenómeno aconteceu na cidade de Paulista, no estado brasileiro de Pernambuco, onde a zona costeira tem estado praticamente deserta, graças às medidas de contenção da Covid-19 adotadas pelo governador Paulo Câmara. De acordo com o jornal inglês “The Guardian”, que falou com o político, as medidas contrariaram a resistência de Jair Bolsonaro, que tem tentado ignorar o problema.

Só estavam presentes os funcionários da Câmara

Voltando às estrelas, as tartarugas, o espetáculo teve apenas como espectadores alguns funcionários públicos que fotografaram tudo. Foi um nascimento pouco usual, já que é normal ver multidões nas margens a assistir ao fenómeno.

“É realmente bonito porque conseguimos ver exatamente quando saem dos ovos e dirigirem-se em direção ao mar. Desta vez, por causa do coronavírus, nem sequer pudemos avisar as pessoas que isto ia acontecer”, conta ao jornal britânico Roberto Couto, o secretário do ambiente de Pernambuco.

Estas tartarugas podem crescer até aos 110 centímetros de comprimento e chegar aos 85 quilos. O nome tartarugas-de-pente deve-se ao facto de antigamente as suas carapaças serem utilizadas para o fabrico de pentes e armações de óculos.

O estado de Pernambuco regista atualmente 68 casos de infeção pelo novo coronavírus e cinco mortes.