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“Se não podes vencê-los, come-os”: há uma praga de lagostins em Berlim e a solução é gastronómica

Nos EUA são um repasto, na Alemanha começaram por ser uma praga, nos lagos, jardins e ruas de Berlim. Este ano a solução para a combater é com menus especiais.

O trocadilho é inevitável e está em muitos dos artigos que se têm escrito sobre o tema. Depois de no ano passado, Berlim ter sido invadido por lagostins vermelhos do pântano, nome científico “Procambarus clarkii”, levando as autoridades e cidadãos ao desespero, este ano quando a praga recomeçou, tomaram-se medidas mais proativas. O melhor será aproveitar os lagostins para comer e inseri-los nas cartas dos principais restaurantes da capital alemã, os de luxo incluídos.

Em maio deste ano, a revista de viagens”Lonely Planet” era a primeira a alertar para a inédita situação: escrevia que, no ano passado, quando as ruas e jardins de Berlim foram invadidos por lagostins, levou ao desespero moradores que nem os podiam caçar, devido a leis de caça furtiva. Já este ano, quando se percebeu que a situação se iria repetir, fez-se uma adenda na legislação para permitir a sua captura e utilização, como alimento e repasto gastronómico.

A adenda é temporária, só este ano e até se controlar a praga e só para restaurantes, não para o cidadão comum. A adesão foi imediata e diversos estabelecimentos criaram cartas inteiras à volta dos lagostins, que ainda por cima parecem ser saborosos. 

A história do início da praga é ainda mais insólita, com a revista a adiantar que esta espécie é originária do sul dos EUA — são parentes diretos do Lousiana Crayfish, que faz maravilhas pelos restaurantes desta região dos Estados Unidos e é um dos seus ex-libris, bem como do norte do México.

No Lousiana, EUA, são iguaria e ex-libris culinário.

As autoridades acreditam que o número crescente de animais terá sido por pessoas os terem em aquários, o que parece que chegou a ser uma moda, e depois os libertarem nos lagos da cidade, onde se multiplicaram de forma incontrolável.

Com invernos moderados e verões chuvosos, foram-se espalhando e de repente andavam, literalmente, pelas ruas de Berlim. A espécie é considerada como invasora pela Comissão Europeia, com muitos especialistas a darem-lhe o nome menos bem simpático de “praga”. 

A ideia que tudo mudou

Esta segunda-feira, 11 de junho, o jornal norte-americano “Washington Post” dedicou um extenso artigo ao tema e ao responsável berlinense que, pelos vistos, tudo mudou. O jornal conta que no ano passado, as autoridades da cidade capturaram e destruíram mais de quatro mil lagostins do Louisiana e introduziram enguias como predador natural, mas ainda assim não os conseguiram controlar.

Quanto os lagostins começaram a aparecer no centro da cidade, em alguns casos lançaram o pânico, com moradores a ligar para os serviços de emergência com relatos de “escorpiões” ou camarões gigantes.

Foi quando um responsável municipal, Derk Ehlert, decidiu começar a investigar se os lagostins seriam adequados para consumo, se não teriam substâncias nocivas ou metais pesados. Como a resposta foi negativa, fez-se a alteração legislativa. Hoje, há restaurantes a fazer muito dinheiro à conta da praga, e até pescadores com carreiras recuperadas.

“Capturar lagostins a cerca de 500 metros do Portão de Brandemburgo é sensacional”, comentou um pescador de 63 anos, ao “Washington Post”.