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Roma vai ter uma nova atração: ver como Júlio César foi assassinado

Está na moda viajar à procura de locais de mortes famosas. É o chamado turismo negro. E mais negro do que isto não existe.
O local a abrir ao público.

Quem mora em Roma passa regularmente por elas, talvez até saiba a sua história. Mas no dia a dia e numa cidade cheia de marcos históricos, as ruínas do templo do Largo di Torre Argentina, bem no centro, passam quase despercebidas. Ou são simplesmente conhecidas como o ponto da cidade com mais gatos por metro quadrado. Abandonadas há décadas, abaixo do nível da rua mas fechadas aos visitantes, foram durante anos a fio o ponto favorito, ou casa, de centenas de gatos romanos — em muitos casos alimentados por locais.

Por ali passam milhares de pessoas, dezenas de autocarros por dia: é um ponto de interseção de diversas rotas. E apesar de terem uma área sagrada, templos intactos e uma história incrível, estas ruínas italianas têm estado abandonadas. 

Tudo isso vai mudar em breve, quando o complexo de templos for reabilitado e aberto ao público como a nova grande atração turística de Roma. Na passada segunda-feira, 25 de fevereiro, a presidente da câmara local, Virginia Raggi, anunciou que estas enormes ruínas históricas vão ser visitáveis já em 2021.

Com o apoio de uma marca de joalharia, a mesma que financiou a restauração da Escadaria Espanhola da Piazza di Spagna, serão instaladas passarelas sinalizadas, cartazes e placas, acesso por elevador e iluminação noturna no local. Uma espécie de museu gigante, a céu aberto, apelativo sobretudo para os fãs de história e do turismo negro: uma tendência crescente em todo o mundo, de procurar locais onde ocorreram mortes historicamente famosas.

O projeto está a ser liderado pela casa de moda italiana Bulgari, que assume a sua enorme ligação e influência a Roma e não se cansa de financiar projetos históricos. Aqui, deverá investir mais de dois milhões de euros, para permitir que o local mais antigo ao ar livre de Roma seja aberto ao público.

Além dos gatos, o complexo só era visitado até agora por historiadores e arqueólogos. Isto porque a sua importância histórica é significativa, já que o largo no centro da cidade, entre a Piazza Navona e o Campidoglio, inclui um pedestal de pedra da Cúria de Pompeu, o ponto de encontro dos senadores. Os historiadores acreditam que este é o preciso local onde o imperador Júlio César foi morto em 44 aC, há mais de dois mil anos.

Segundo lembra a “Condé Nast Traveller“, em 15 de março de 44 aC, Júlio César foi esfaqueado 22 vezes por conspiradores do lado de fora do Teatro de Pompeia, o primeiro teatro permanente de Roma, construído pelo grande rival de César uma década antes. Ele foi morto na Cúria, ou senado, que fazia parte do complexo do teatro. 

Quase 2063 anos depois, tudo o que resta daquele edifício, juntamente com outros templos e balaustradas erguidos depois e ainda uma torre de tijolos medieval, estará no Largo di Torre Argentina.

Este espaço foi criado em 1920 pelo ditador Benito Mussolini, que pretendia então ligar o seu regime às glórias do Império Romano, misturando vestígios arqueológicos com edifícios modernos em toda a capital. Mas desde então, tem estado praticamente abandonado.

Enquanto a tendência do turismo negro continua a crescer, e se acredita que milhares de pessoas fazem as malas e decidem destinos para conhecer locais de mortes, tragédias e destruição, a cidade decidiu investir finalmente no espaço.

E nem os amantes de gatos precisam de se preocupar: a autarquia já anunciou que os trabalhos de restauração tentarão não os afetar e respeitar o seu espaço, sendo as reformas mesmo limitadas ao mínimo no templo D, onde a maioria da colónia vive.