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Realidade Vs. expetativa: fomos às (filas das) Pirâmides do Egito

A repórter da NiT fez uma das suas viagens de sonho. Mas não foi nada do que estava à espera.
Um item na bucket list de muitos. Mas será que vale a pena?

Esta viagem faz parte da bucket list de milhões de pessoas. Mais do que milhões, se calhar. São os faraós, as pirâmides, os papiros ou as maldições de Tutakamon. Não interessa. Ainda antes de saber ler, já tinha um livro com estas imagens que faziam a minha imaginação disparar. “Será que se pode ir para dentro das pirâmides?” Ou: “Será que existiu mesmo alguém com uma cabeça de animal e um corpo de pessoa?”.

Eu tinha muitas perguntas, os meus professores nenhuma paciência. Eu admito que era chata, sim. Mas também nunca ninguém me disse que se seu quisesse mesmo saber as respostas, só precisava de apanhar um voo de Lisboa para Madrid e de Madrid para o Cairo e que em pouco mais de oito horas podia estar lá — naquele sítio que nem parecia real. 17 anos depois, foi isso mesmo que eu fiz esta terça-feira, 5 de fevereiro. 

O Cairo é a capital do Egito, um país onde noventa e cinco por cento do território é composto apenas e só de areia — o deserto, portanto. Nos outros cinco por cento acumulam-se mais de 100 milhões de habitantes. Sim, é exatamente isso: o caos. Esqueça aquelas imagens coloridas das fotografias dos Faraós, aqui o ar é pesado. Aqui só existe “smog”.

Enquanto me tento convencer que isto são apenas pormenores irrelevantes, concentro-me no que me trouxe até cá: uma das sete maravilhas do Mundo Antigo: as pirâmides de Giza, de onde faz parte a famosa figura da Esfinge.

Construídas há mais de quatro mil anos, a pedra mais pesada tem seis toneladas. O que significa que foram precisas mais de dez milhões de trabalhadores e centenas de anos para construir aqueles três triângulos aparentemente primitivos: o Quéops, com 160 metros de altura; o Quéfren, com 146 metros; e o Miquerinos, com 62 metros. 

Estar aqui, em frente delas, parece um sonho tornado realidade. Mas depois chega, efetivamente, a realidade. E essa é bem dura para uma fotógrafa como eu. Todas aquelas fotos românticas que fui vendo ao longo da vida são impossíveis de conseguir tirar nos dias de hoje. Não há cor, não há charme e não existe mistério. Em contrapartida, há literalmente centenas de turistas a fazerem de conta que estão a beijar a Esfinge enquanto tiram uma selfie ou fazem poses ridículas com o pareo e o chapéu que compraram nos saldos da Zara. O único brilho que consigo ver por entre o “smog” vem dos ecrãs dos telemóveis com as contas de Instagram abertas. É triste. Muito triste. 

Pensa que eu estou a exagerar? Carregue na galeria para ver como foi a história da minha expetativa Vs. realidade.