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Viagens

Praga junta-se a movimento contra Airbnb

Presidente da cidade checa diz que a plataforma está a criar um excesso de turismo e a incomodar os residentes.
Turismo incomoda residentes

Não é a primeira vez que ouvimos falar dos problemas associados ao rápido aumento do volume de turismo em algumas das mais importantes cidades europeias. A última a juntar-se à lista é Praga, onde o presidente do executivo local, Zdenek Hrib, até mostrou a sua indignação contra o crescente aumento de turistas num movimento das redes sociais.

Hrib vai mais longe e propõe mesmo um ataque radical à Airbnb e todas as plataformas de alojamento temporário que, segundo acredita, estão a criar uma “crise da habitação”. Com o excesso de turismo a ameaçar empurrar os residentes para longe do centro da cidade, o autarca propõe que se criem medidas para combater este exagero.

Entre as ideias defendidas por Hrib estão a proibição de alugar apartamentos inteiros, exceto em casos de habitação própria em que o dono não esteja durante algum tempo, ou a possibilidade de apenas alugar quartos em casas onde o dono resida.

“No passado, podia limitar-se a quantidade de turistas na cidade simplesmente limitando a aprovação de certo número de hotéis com certa capacidade durante o processo de licenciamento. Agora em Praga não é possível a cidade limitar a capacidade de acomodação dos turistas. Os números são realmente críticos”, explicou ao “Observer”.

Airbnb v Praze je problém, na tom se shodneme. 🤔V době současné bytové krize je pro Airbnb využíváno 11500 bytů, každý…

Publicado por Zdeněk Hřib – primátor Prahy em Segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Em 2018, Praga recebeu cerca de oito milhões de turistas, um número que supera em larga escala a sua população total de 1,3 milhões. No espaço de três anos, os números de camas disponíveis quase triplicaram, o que acarreta outros problemas.

As zonas residenciais mais calmas estão agora cheias de turistas a arrastar as suas malas, há mais ruído e distúrbios que incomodam os residentes mais antigos, ao mesmo tempo que o valor das rendas aumentou substancialmente.

“Isto já se afastou muito da ideia original de economia partilhada em que é suposto deixares um turista ficar em tua casa, fazeres-lhe o pequeno-almoço e dizeres-lhe algo sobre a tua bonita cidade”, critica.

Com todas estas acusações, Zdenek Hrib diz que Praga quer juntar-se ao conjunto de outras cidades europeias que se uniram para combater os efeitos negativos da entrada da Airbnb . Lisboa e Porto também já se queixaram de alguns problemas deste género e tentaram travar o problema. Ainda assim, do grupo de cidades que reportaram o problema à União Europeia constam exemplos como Amesterdão, Barcelona, Berlim, Bordéus, Bruxelas, Cracóvia, Munique, Paris, Valência e Viena.