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Pilotos da Ryanair recusam-se a trabalhar nos dias de folga

A companhia aérea anunciou esta semana que iria oferecer um bónus de pagamento aos pilotos que voassem nos dias livres. Eles não aceitaram. 

O cenário está complicado para a Ryanair.

O cenário continua complicado para a Ryanair. Depois da polémica à volta dos voos que foram cancelados, a companhia aérea irlandesa propôs aos pilotos um pagamento adicional para voarem durante os dias de folga, de forma a combater a falta de pilotos e evitar mais cancelamentos e atrasos nos voos. O bónus proposto pela Ryanair é de 12 mil euros (6 mil para os copilotos).

No entanto, esta oferta proposta a 18 de setembro foi rejeitada pelo grupo de pilotos que contestaram o facto de terem de trabalhar em dias livres e ainda terem de pagar o transporte até ao aeroporto. O jornal britânico “The Guardian”  teve acesso à carta que recusa a oferta e na qual os pilotos afirmam que não vão trabalhar mais para além daquilo que está pressuposto no contrato de trabalho. Neste mesmo documento, que é uma resposta ao diretor de operação da Ryanair, Michael Hickey, é referida a forte posição que os pilotos têm nesta situação ao referirem o facto de a companhia não estar “em posição de demitir pilotos porque isso agravaria o seu problema”.

Em causa estão também as condições de trabalho que, de acordo com o grupo de pilotos, implica estar em regime de trabalhador independente, não ter segurança contratual, garantias de reforma ou sequer poder tirar baixa no caso de estarem doentes. O presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, também já reagiu aos protestos dos trabalhadores e confessou, em conferência de imprensa: “Não sei como vão organizar uma greve. Não há sindicato”.

O pagamento dos 12 mil euros aos comandantes e 6 mil euros aos copilotos equivaleria a trabalhar em dez dias de folga entre 15 de setembro de 2017 e 31 de outubro de 2018. Os pilotos que aceitarem a proposta da companhia devem completar mais de 800 horas de voo durante 12 meses até outubro do próximo ano. Contudo, a grande maioria nunca chegou a completar 800 horas de voo num ano. Os trabalhadores estão também proibidos de terem mais do que quatro faltas autorizadas.

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