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Porque é que os aviões têm cinzeiros se é proibido fumar?

A explicação não está no facto de serem antigos — os novos também têm.

Porquê? Porquê?

Só em 1996 é que passou a ser proibido fumar dentro dos aviões portugueses. Pois é, nós também ficámos surpreendidos: apesar do primeiro decreto-lei sobre o tabaco recuar até 1959, altura em que deixou de ser permitido fumar em recintos fechados onde decorrem espetáculos, foram precisos mais 37 anos até o fumo desaparecer dos aviões.

Décadas depois, acender um cigarro a bordo é impensável. No entanto, os aviões continuam a ter cinzeiros, sobretudo nas casas de banho. A explicação mais plausível seria assumir que as aeronaves são antigas, e que portanto os cinzeiros nunca chegaram a desaparecer. Não é verdade: os aviões mais recentes também têm.

É obrigatório por lei. A presença de cinzeiros nos aviões é uma exigência dos órgãos que regulam as regras da aviação civil. E porquê? Para começar, porque pode haver sempre alguém que não cumpra a regra. Assim sendo, é importante que existam sítios onde apagar o cigarro, não vá o passageiro lembra-se de deixar a beata noutro sítio e provocar um incêndio.

Nos voos fretados as regras são diferentes

Além disso, um avião comercial pode ser fretado. Nessa caso, pedir autorização para fumar é tão normal como fazer um pedido especial — e convém que o avião tenha cinzeiros.

Vale a pena recordar esta história. Em 2008, o então primeiro-ministro José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo, fumaram a bordo de um voo fretado da TAP.

Em comunicado, António Monteiro, porta-voz da companhia, explicou ao jornal “Público”: “O cliente que freta um avião pode ter regras diferentes das da companhia”, acrescentando que fumar é “tão normal como pedir para se servir outra refeição, distribuir determinados jornais ou ver certos filmes”.