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O primeiro voo sem plástico do mundo foi português — as outras companhias vão imitar

26 de dezembro foi um dia histórico na aviação, graças a uma empresa portuguesa. Mas o plástico vai acabar, até nas low cost.
Hy Fly fez história.

Há regras básicas e fáceis de seguir para quem se preocupa com o ambiente, com a sua pegada ecológica e em reduzir o plástico produzido no mundo, mesmo quando está a viajar. Pode preferir alojamentos ecológicos; evitar os produtos de higiene pessoal de tamanho de viagem; levar talheres e headphones próprios e até a sua garrafa de água. E começar a escolher uma das companhias de aviação que estão a tentar contribuir para esta luta. Pois bem, saiba que a primeira dessas companhias, que fez notícia em todo o mundo ao levar a intenção à prática, foi uma transportadora portuguesa.

No passado dia 26 de dezembro, um dia agora considerado histórico para a aviação mundial, a companhia aérea portuguesa Hi Fly realizou o primeiro voo comercial do mundo sem qualquer tipo de plásticos descartáveis.

O compromisso tinha sido tomado pela empresa no início do ano passado e foi cumprido menos de 12 meses depois. Nesse dia, na rota de Lisboa (Portugal) para Natal (Brasil), um total de quatro voos, operados pelo Airbus A340 9H-SUN da Hi Fly, aconteceram sem qualquer plástico. Talheres, copos, embalagens de mantas, pratos, garrafas, saleiros e pimenteiros, garrafas e escovas de dentes em plástico estão entre os itens que foram substituídos nos voos realizados durante este período.

Sacos para enjoo, embalagens para roupa de cama, embalagens de manteiga individuais e garrafas de refrigerantes foram também eliminados.

No seu lugar, os cerca de 700 passageiros dos quatro voos encontraram embalagens de papel, talheres de bambu e recipientes biodegradáveis. Se dúvidas houvesse sobre os efeitos destas medidas, a companhia estima que só nesse dia tenham sido evitados “cerca de 350 quilogramas de plásticos descartáveis”.

Agora, o objetivo da Hi Fly é generalizar este teste a todos os seus voos e tornar esta a norma — em vez da excepção. E já em 2019, garante a empresa.

“Mais de 100.000 voos descolam todos os dias por todo o mundo e, só no ano passado, aviões comerciais transportaram quase quatro bilhões de passageiros. Um número que deverá dobrar novamente em menos de 20 anos. O potencial para fazer a diferença aqui é claramente enorme”, explica no seu site.

Não é a única companhia e pensar assim e a tomar este compromisso. Segundo o jornal britânico “The Independent“, que destaca o exemplo e a iniciativa da portuguesa Hi Fly, também a Ryanair já se comprometeu a deixar de fabricar plástico até 2023. A low cost terá um plano de cinco anos para se tornar na companhia aérea mais ecológica do mundo, o que passa por eliminar os plásticos, entre outras medidas a implementar.

Quanto à easyJet, esta low cost já está a substituir recipientes de bebidas e café por copos feitos de materiais recicláveis, bem como alternativas de madeira para talheres.

As palhinhas já foram eliminadas da Air New Zealand, Alaska Airlines e Delta Airlines, e a British Airways garante ao jornal estar à procura de alternativas aos plásticos, sem ter ainda mais nada em concreto.

Por cá, ainda não são conhecidos os planos da TAP neste campo: a NiT contactou a companhia aérea portuguesa mas não obteve resposta até à publicação deste artigo.