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O paraíso existe: é uma ilha deserta no Egito (mas cheia de gente vaidosa)

Trocadilhos à parte, chama-se Paradise Island. Uma repórter da NiT conta-lhe tudo.
Esta fotografia não tem Photoshop.

A primeira vez que fui a uma ilha senti-me claustrofóbica. Lembro-me de estar na varanda do décimo primeiro andar de um hotel e de me perguntar o que poderia fazer se acontecesse alguma coisa. A sensação de estar presa invadia-me por completo. Estar numa ilha não me parecia libertador, mesmo que todas as músicas, filmes e pessoas me tentassem convencer do contrário e que eu quisesse mesmo ter essa sensação.

A 5361 quilómetros de Lisboa, fica Hugharda, uma das mais famosas estações balneárias do Egito. A antiga vila piscatória transformou-se numa cidade paraíso para todos aqueles que querem apenas existir durante algum tempo. Com pouco mais de 300 mil habitantes, tem tudo aquilo que é necessário para não se pensar em mais nada: hotéis ou resorts, lojas de comércio tradicional, praias maravilhosas recheadas de corais ou até mesmo um Hard Rock Café, onde podemos dançar noite dentro.

Ao contrário do Cairo (que também visitámos e que pode descobrir neste artigo), ali a calma paira no ar. Não há muitos carros, o céu é azul e não há sinais de “smog”. Embora seja uma cidade que se auto denomina de turística, quem vem de fora pouco dá nas vistas. Os locais continuam na sua rotina e é muito fácil entrar nela.

Disseram-me que devia estar na marina de Hugharda às 9 horas da manhã para uma viagem de barco. Imediatamente, pensei que o destino fosse apenas o alto mar para tentar encontrar alguns cetáceos. Passado uns 30 minutos, percebo que não. Estava a ir em direção a uma ilha que se apelidava de “Paradise”.

O sol estava alto e, apesar do vento — normal num país que agora também vive o inverno —, a temperatura ambiente era de 23 graus. Pouco a pouco, a terra estava à vista e com ela, uma letras pequeninas que, se estivessem do outro lado do mundo, poderiam ser as de “Hollywood” — mas que diziam, na realidade, “Paradise”. Quão pretensioso poderia ser? Quão vaidosas precisam de ser aquelas pessoas para assumirem que vivem no paraíso? Não pensei mais nisso. Teria a minha resposta dali a pouco tempo.

A embarcação não podia ir até à beira-mar. Por isso, fiz o transbordo para um barco mais pequeno. Depois de passar um pontão flutuante, que me pareceu super aventureiro — cair não seria, de todo, um pesadelo — cheguei ao tão famoso paraíso de areia branca.

À minha escolha tinha inúmeras sombrinhas de palha a poucos metros da água. Podia ter ido mergulhar de imediato mas preferi explorar o deserto. Além do complexo com atividades que poderá ver na galeria não existe mais nada nesta ilha, sem ser céu azul, água transparente e um deserto infinito. Finalmente, a minha sensação de tranquilidade estava satisfeita. Não havia prédios nem pessoas a correr de um lado para o outro. A banda sonora não era o trânsito.

Esta experiência, localizada a sul da ilha de Giftun  com tudo incluído — dura um dia, das 9 horas da manhã até às 17 horas. Os preços variam entre os 20€ e os 50€, dependendo de onde faz a reserva. Pode reservar diretamente no site, pode pedir para reservar na receção do seu hotel ou até mesmo nos postos de turismo da praia ou da cidade. Se tiver sorte, pode ainda apanhar um lugar de última hora, por apenas 15€: alguém irá ter consigo, enquanto está descansado na praia do seu resort, para tentar preencher os últimos lugares do barco.

Para chegar a Hugharda, terá de passar por três voos, saindo de Lisboa, tendo em conta que não existem voos diretos para o Cairo, a capital do Egito. Fizemos o teste: para ir no dia 2 de março, o voo para o Cairo começa nos 486€. Do Cairo para Hugharda, através da EgiptAir, os preços começam nos 107€. No total, a viagem fica por 593€. Pode também procurar agências de viagens para pedir pacotes completos.

Sim, o paraíso existe: é um deserto e uma praia, ali ao virar da esquina do Mar Vermelho. Afinal, ser herege compensa.

Não acredita? Carregue na galeria para saber tudo aquilo que pode fazer neste pequeno pedaço de terra.

*A NiT viajou para este destino a convite da Solférias e da Soltrópico.