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Nesta aldeia todas as casas são palácios reais da Disney

O projeto megalómano custou mais de 200 milhões de euros e pretendia mudar o turismo na Turquia. Agora está ao abandono.
Burj Al Babas, na Turquia.

Parecia um sonho: centenas de casas a fazerem lembrar pequenos chalets franceses, ou castelos góticos saídos diretamente dos contos de encantar e dos filmes da Disney, prontos para quem quisesse habitar. Tratava-se de um novo bairro residencial de luxo, com mais de 700 palacetes todos iguais, no exterior e no interior, criando um efeito meio surreal e quase sinistro, porém incrível. Haveria comércios e serviços, centros de fitness e banhos turcos, um luxo para os compradores mais extravagantes — neste caso, a apontar diretamente aos investidores endinheirados do Golfo.

O projeto Burj Al Babas, na província de Bolu, no nordeste da Turquia, começou a ser erguido em 2014, cheio de fulgor e de originalidade e a prometer revolucionar aquela zona do país. Mas menos de cinco anos depois, a aldeia construída de raiz está agora abandonada, e nada mais parece do que uma — agora oficialmente sinistra — cidade fantasma.

O negócio parecia ter tudo para correr bem, mas a verdade é que o empreiteiro, o Grupo Sarot, não conseguiu obter a quantia necessária para finalizar o projeto. Concebido como uma comunidade de luxo para compradores estrangeiros, o Burj Al Babas sofreu as consequências da crise financeira e política dos últimos anos e não teve a adesão pretendida. O grupo acabou por apresentar falência.

Após as eleições na Turquia, em 2018, vários compradores de países como o Dubai e o Kuwait deixaram de pagar as prestações das casas. Enquanto a Turquia enfrenta uma crise económica e política, que teve influencia até nos câmbios, a queda dos preços do petróleo também tem tornado os investidores árabes mais cautelosos. Os resultados foram catastróficos, em modo bola de neve.

As torres.

A urbanização tinha um investimento estimado de mais de 200 milhões de euros e, diz a imprensa internacional, ainda sobra dinheiro; mas o problema é que o projeto deveria ir sendo construído e concluído à medida que se vendiam os palacetes — e estes, das duas uma: ou não se venderam ou viram as suas compras canceladas pelos investidores.

Das mais de 732 moradias construídas, cerca de 350 foram vendidas para investidores árabes, mas os negócios entretanto não se concretizaram.

As casas foram erguidas na base das montanhas do noroeste da Turquia, a meio caminho entre Istambul e a capital Ankara. Com toque góticos, fachadas entre o cinzento e o azulado, as imponentes moradias custavam cerca de 500 mil euros cada.

Com neve, ainda parece mais saído da Disney.

Todos os palacetes tinham três andares, uma torre de canto redonda e uma torre quadrada acima das suas portas, ao estilo de Rapunzel.

O empreendimento iria ter ainda um centro de convívio, lojas, cinemas, restaurantes, salas de conferências, salas de reuniões e uma creche. E também ginásio, banhos turcos, saunas, salas de vapor, campos de ténis e de futebol e até um parque aquático.

As casas em construção.

Embora a falência tenha sido declarada e as construções estejam paradas, o vice-presidente do Sarot Group disse esta semana à “Bloomberg” que ainda tem esperança de que o projeto continue. 

“Só precisamos de vender 100 moradias para liquidar a nossa dívida. Acredito que podemos superar esta crise em quatro a cinco meses e inaugurar parcialmente o projeto em 2019”, adiantou o responsável.

Há um ano, um drone filmou as zonas concluídas do projeto. Estas imagens impressionantes revelam a dimensão da empreitada que está suspensa. É realmente uma história ao estilo Disney.