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Morreu mais um norte-americano na República Dominicana — são já oito os casos

Os números suspeitos que envolvem turistas dos EUA continuam a aumentar.
O FBI está a investigar o caso.

A 17 de junho, um cidadão norte-americano morreu na República Dominicana, elevando assim o número de mortes de visitantes desta nacionalidade no popular destino turístico para pelo menos oito só este ano — 11, se juntarmos o ano passado —, avançou a CBS News na segunda-feira, 24 de junho.

Vittorio Caruso, de 56 anos, era de Nova Iorque mas estava, aparentemente, a viver na República Dominicana. A família contou ao canal de televisão que as informações oficiais que receberam do país, sobre onde e quando morreu, são contraditórias.

Como tem acontecido com várias notícias sobre este destino desde que as mortes começaram, as informações que têm vindo a público nas últimas horas são, também elas, contraditórias. Alguns meios norte-americanos avançam que Caruso era turista; uns que tinha uma casa em time sharing que usava para férias; outros, ainda, que estava a morar na região.

A cunhada disse à Fox News que o homem “foi levado para o hospital numa ambulância com dificuldades respiratórias depois de beber algo”. A companheira de Vittorio Caruso informou o “The New York Post” que ele estava “de boa saúde” e que “tinha ido ao médico e não tinha nenhum problema”. No entanto, o mesmo jornal avançou, horas mais tarde, que o resultado da autópsia revelou que Caruso sofria de hipertensão, insuficiência cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crónica, problemas provocados pelo consumo de tabaco e álcool. Foram também detetados pequenos ataques cardíacos anteriores.

Já a CNN reportou esta terça-feira, 25 de junho, que o cidadão norte-americano tinha começado a ter dificuldades respiratórias no dia 11. Yomaira Ramirez de Jesus, a companheira, informou as autoridades de que Caruso foi ao médico e teve alta. Quase uma semana depois, queixou-se de dores no peito e falta de ar, recebendo auxílio médico em casa. Foi depois encaminhado para o hospital de Santo Domingo, onde sofreu uma paragem cardiorespiratória, acabando por morrer.

As histórias contraditórias são o reflexo da situação de alarme que se vive em torno dos vários casos bizarros de mortes de turistas no país.

Outros acontecimentos estranhos

Este caso junta-se às outras mortes ainda por explicar de turistas norte-americanos na ilha. Robert Wallace, de 67 anos, morreu de forma súbita em abril, alegadamente depois de consumir uma bebida do minibar do seu quarto de hotel.

Miranda Schaup-Werner, uma norte-americana do estado da Pensilvânia, 41 anos, morreu no final do mês de maio, enquanto estava de férias no mesmo país. Foi encontrada no Grand Bahia Principe Bouganville a 25 de maio. A família diz que entrou em colapso e morreu pouco depois de tomar uma bebida no bar do hotel.

Cinco dias depois, numa outra unidade da mesma cadeia, Nathaniel Edward Holmes, 63 anos, e Cynthia Ann Day, 49 anos, ambos do estado norte-americano do Maryland, foram encontrados mortos no Grand Bahia Principe La Romana por um funcionário que foi ao quarto ver porque não teriam feito o check-out na data prevista.

As autópsias preliminares divulgadas pelas autoridades dominicanas a estas mortes diziam que todos tinham líquido nos pulmões e insuficiência respiratória.

Jerry Curran, de 78 anos, morreu a 26 de janeiro de 2019 no Dreams Resort em Punta Cana; Leyla Cox, de 53 anos, morreu a 10 de junho último no Excellence Resorts em Punta Cana, sendo a causa de morte ataque cardíaco. Joseph Allen, de 55 anos, morreu a 13 de junho no Terra Linda Resort em Sousa, não sendo conhecidos os motivos.

Tudo começou em 2018

No ano passado alguns turistas norte-americanos também morreram em circunstâncias estranhas. Yvette Monique Sport tinha 51 anos e morreu num outro resort da cadeia Bahia Principe, novamente depois de beber algo do minibar.

Já no mesmo hotel onde em abril deste ano morreu Robert Wallace — o Hard Rock Hotel and Casino, em Punta Cana —, David Harrison, de Maryland, morreu de forma inesperada. O homem de 45 anos adoeceu em julho de 2018 e terá sofrido um ataque cardíaco.

Na sequência de todos estes casos têm surgido constantemente, nos meios norte-americanos, vários relatos e notícias sobre outros turistas que garantem ter tido doenças ou sintomas, como intoxicações, depois de regressarem de férias da República Dominicana.

O que está a ser feito

Muita gente com férias marcadas para a República Dominicana está a cancelar a sua ida. As autoridades e hotéis locais acusam os media de espalhar informações imprecisas e garantem que não há motivos para preocupação, considerando que milhões de turistas visitam a ilha a cada ano sem nada a relatar.

Mas, graças aos casos norte-americanos, as autoridades dos EUA são neste momento as mais atentas e envolvidas. O FBI e a Organização Mundial de Saúde já estão a investigar. Segundo os meios locais, está a ser analisada a possibilidade de ter havido bebidas alcoólicas manipuladas ou álcool contrafeito, devido aos relatos de várias vítimas que terão bebido algo nas horas anteriores às indisposições.

Outra hipótese que foi levantada no início foi a de envenenamento por inseticida, usado normalmente nos hotéis para afastar os mosquitos. Pode ainda dar-se o caso de estas mortes não estarem relacionadas e de tudo não passar de uma coincidência.

A embaixada norte-americana em Santo Domingo defende isto mesmo e afirma não haver provas, por enquanto, que confirmem que haja uma ligação entre todos os casos. Já o ministro do turismo, Francisco Javier García, diz que as mortes são um fenómeno médico e estatístico natural, sendo os ataques cardíacos até certo ponto normais entre turistas. E afasta qualquer relação ou fenómeno, sobretudo quando seis milhões de norte-americanos visitam o destino por ano.