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Milhares de parisienses cantaram “Ave Maria” junto da Catedral de Notre-Dame

O momento aconteceu durante a fase de rescaldo do incêndio desta segunda-feira, 15 de abril.
Vale a pena ver.

Em Paris e um pouco por todo o mundo multiplicam-se fotografias, histórias e desabafos nas redes sociais sobre o incêndio que aconteceu esta segunda-feira, 15 de abril, na Catedral de Notre-Dame. Às milhares de partilhas, junta-se agora um vídeo dos parisienses a cantarem o tema “Ave Maria” em frente do monumento.

Tudo aconteceu na fase de rescaldo, por volta das 22 horas, quando os bombeiros anunciaram que a estrutura parecia estar a salvo. O vídeo publicado no mesmo dia na página de Facebook na Consequence of Sound é arrepiante. Até ao momento, soma mais de um milhão e meio de visualizações.

O fogo começou por volta das 17h50, hora de Lisboa. Embora as causas ainda não sejam conhecidas, o reitor da catedral, Patrick Chauvet, disse esta terça-feira, 16 de abril, que o fogo parece ter começado numa rede interna de vigas de madeira, datadas da Idade Média e apelidadas de “a floresta”.

O pináculo que existia no centro da Catedral ruiu ao início da noite e o teto esteve à beira do colapso. Os bombeiros chegaram a conseguir controlar praticamente o fogo, mas temia-se ao início da noite que parte, ou o todo, da catedral ainda pudesse ruir. Mais de 400 elementos tentaram salvar as torres, bem como as respetivas obras de arte.

Enquanto a Catedral ainda estava em chamas e se temia o pior — a sua destruição total — , o presidente francês Emmanuel Macron já anunciava que um esforço internacional para levantar fundos para a reconstrução começaria esta terça-feira. “Vamos reconstruir Notre-Dame”, revela ao visitar o local na noite de segunda-feira. “Porque é isso que os franceses esperam.”

Os franceses e não só, aparentemente. A UNESCO ofereceu-se de imediato para ajudar e a milionária família Pinault, do marido francês da atriz Salma Hayek, já prometeu 100 milhões de euros para esse fundo.

A família de Bernard Arnault, proprietário do grupo de artigos de luxo LVMH Moët Hennessy da Louis Vuitton, vai contribuir com 200 milhões de euros e o Ministério da Cultura da Rússia também se ofereceu para investir.

Como a NiT escreveu num artigo enquanto o incêndio decorria, antes deste trágico incidente a Catedral sobreviveu à brutalidade da Revolução Francesa, no final do século XVII, e às duas guerras mundiais do século XX.

Durante a Revolução, foi constantemente pilhada, atacada, saqueada e vandalizada, chegando a ser utilizada como um armazém, mas viria a reerguer-se. Em setembro e outubro de 1914, durante a Primeira Grande Guerra, pilotos alemães soltaram mais de 50 bombas sobre Paris durante a Primeira Batalha do Marne, chegando a atingir e danificar parte do seu telhado.

Durante a Segunda Guerra sobreviveu a mais bombardeamentos, parecendo escapar sempre miraculosamente, quase incólume, aos ataques. E foram os seus sinos que anunciaram, em 25 de agosto de 1944, a libertação de Paris do nazismo.