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Microplásticos encontrados pela primeira vez em pinguins na Antártida

O estudo que o comprova é português, da Universidade de Coimbra, e foi publicado na revista "Scientific Reports".
Foto de José Xavier.

“Não são boas notícias”, refere o relatório, português, de um estudo da Universidade de Coimbra que foi publicado esta quarta-feira, 2 de outubro, na reputada revista “Scientific Reports”. O documento comprova que a poluição por microplásticos já chegou à Antártida, confirmado as piores expetativas: que este tipo de poluição já entrou na cadeia alimentar marinha, inclusive nos locais mais remotos do planeta.

Ao analisarem a dieta de pinguins gentoo pygocelis papua em duas regiões da Antártida, os investigadores observaram que 20 por cento das 80 amostras de fezes das aves continham microplásticos — partículas de plástico menores que 5mm de comprimento — de diversas tipologias, formas e cores, o que indica uma grande variedade de possíveis fontes destes microplásticos.

A equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) encontrou, pela primeira vez, estes resíduos nos pinguins. Em comunicado, o grupo frisa ser uma descoberta alarmante. 

Filipa Bessa, autora principal do artigo, destaca que este é o primeiro estudo a registar microplásticos em pinguins e na cadeia alimentar marinha Antártida e refere que “a variedade de microplásticos encontrados poderá indicar diferentes fontes de poluição, indiciando uma difícil solução para este problema”.

A poluição marinha por plásticos é reconhecidamente uma ameaça aos oceanos em todo o mundo mas só recentemente tem havido um aumento do esforço científico sobre microplásticos. Em zonas mais remotas do planeta, como a Antártida, esperava-se que a presença de microplásticos fosse muito reduzida, embora estudos recentes já tenham encontrado microplásticos em sedimentos e nas águas do Oceano Antártico.

José Xavier, autor sénior do artigo, corrobora que estudo vem na altura certa, pois os microplásticos podem causar efeitos tóxicos nos animais marinhos e nada se sabe sobre o que eles poderão provocar nos animais da região Antártica. Por isso, segundo o também docente do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, “esta descoberta é de muita importância para desenvolver novas medidas para reduzir a poluição na Antártida, particularmente relacionada com plásticos, podendo servir de exemplo para outras regiões do mundo”.