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Ilhéu das Rolas: há um paraíso super barato a 15 minutos de São Tomé

Pode ficar no único hotel da ilha, com pensão completa, ou fazer a visita diária com direito a almoço.
Parece um postal.

Ainda são apenas 10 horas, mas o dia já vai a meio para as 12 crianças que frequentam o turno da manhã da Escola Primária do Ilhéu das Rolas. Na pequena e única sala daquele sítio, os alunos da primeira e terceira classe desenham um relógio bem redondo nos cadernos. “Estão a aprender as horas”, conta-nos Alexandre Santos, o professor.

De segunda a sexta-feira, este homem faz a travessia de barco entre São Tomé e o Ilhéu, que demora 15 minutos, duas vezes. Mora em Porto Alegre, mas foi escolhido para ensinar os 18 alunos daquela comunidade que, no total, tem cerca de 170 pessoas.

A escola primária.

“Às 12h30 e até às 17 horas, chegam os da segunda e quarta classe. É estranho juntar assim os anos, mas só cumpro o que me pedem”. Os miúdos estão sentados maioritariamente em cadeiras de esplanada da Super Bock e desfazem-se em sorrisos e acenos sem pedir nada em troca.

Lá fora parece estar ainda mais calor do que o habitual. Leny Marques, guia e animador do Pestana Equador, o único hotel do Ilhéu das Rolas, explica que é normal. “Aqui as temperaturas são sempre mais altas do que em São Tomé. Mas se chover, nesta zona também cai mais água.”

O jovem de 25 anos — que veste uma camisola do Benfica oferecida pelo ator Jorge Corrula, em 2018 — trabalha neste hotel faz cinco anos em julho. É de São João de Angolares, a pequena vila onde regressa uma vez por semana. 

“Gosto muito de estar aqui. Durmo ali, naqueles quartos. Acordo cedo, por volta das 7 horas para dar um mergulho. Depois tomo o pequeno-almoço e fico na zona do restaurante à espera dos clientes para ir passear com eles. O meu dia de trabalho acaba à noite, às 22 horas, depois de perceber que está tudo controlado e ninguém precisa de mim.”

Antes de vir para o Ilhéu das Rolas, Leny trabalhava no restaurante do conhecido chef João Carlos Silva, bem mais perto de casa. Porém, quando soube que havia esta vaga como animador neste pequeno território com 200 hectares, não pensou duas vezes para se candidatar ao lugar.

Está habituado a estar longe da família. “Tenho um irmão na China, uma em Luanda e dois em Leiria. Um dia quero ir ter com eles a Portugal”, conta. Enquanto não consegue, o jovem — cujos pais se conheceram na cidade de Santa Catarina durante uma cerimónia adventista — passa os dias a mostrar o pequeno paraíso tão perto de São Tomé.

Lenny Marques.

Foi esse mesmo percurso que a NiT realizou ao lado do são-tomense. O ponto de encontro estava marcado para as 9 horas, perto da comprida piscina do hotel com vista direta para a praia. De lá, seguimos por caminhos de terra batida, onde não falta sombra graças às palmeiras e toda a florestação virgem da zona.

Leny conhece as árvores de cor. Umas dão fruta-pão, outras cocos. Há ainda os cascos que são bons para chás que curam dores de barriga e, segundo ele, “controlam os diabetes”. Mais à frente paramos em vários miradouros onde a vista parece um cenário de cinema.

Há o miradouro do Amor, ideal para pedidos de casamento românticos; o das Sete Pedras, onde era o restaurante do Pestana Equador; e o da Rota das Baleias — entre julho e dezembro é possível avistar dezenas por ali.

Mais à frente está o miradouro da Esperança que mais chama a atenção. Leny conta a história emocionante. “O senhor João tinha uma pequena canoa para ir apanhar peixe voador. Saía daquela praia [aponta] todos os dias. Às 16h30, a mulher Esperança vinha aqui para cima esperá-lo. Fazia-lhe sinal com uma cafuca [tocha] para ele perceber qual a zona do mar por onde podia entrar.” Conta o jovem que, entretanto, o casal morreu, mas a homenagem ficou feita com o nome dado ao miradouro.

A visita pelo Ilhéu das Rolas continua e Leny conta histórias com o entusiasmo como se fosse a primeira vez. Tem pena de não avistarmos baleias, mas diz que há uma semana cerca de 30 golfinhos aproximaram-se da praia de Angolares.

“Eles estavam a deitar umas coisas verdes, parecia que tinham comido redes ou algo que lhes fez mal. Os miúdos foram para a água para os afastar, mas foi difícil. Lá conseguimos, mas morreram três. Um deles era fêmea e estava grávida. Tirámos dois golfinhos bebés que sobreviveram, mas a mãe ficou na praia. Só não mostro as fotos porque perdi o meu telemóvel no mar”, diz, convicto, à NiT.

Depois de passarmos a zona dos miradouros, onde avistamos praias com água azul clara, seguimos para a pequena povoação onde moram cerca de 170 pessoas. Vivem, essencialmente, do trabalho no hotel, da pesca e do artesanato.

Romário Pedro, 26 anos, é um dos que passam o dia a construir artigos de decoração. Está com um martelo na mão a trabalhar uma peça em madeira, que vai vender por 20€. Se o turista souber regatear, o são-tomense desce para 15€.

Romário Pedro.

A pequena banca do jovem fica na subida para o marco do Equador, conhecido por ser o centro do mundo. Por dia, Leny costuma fazer esta visita duas vezes: uma de manhã e outra à tarde. Se o cliente quiser outra hora, não tem problema — “é só dizer”.

O caminho é um pouco íngreme, por isso deve ser feito com sapatilhas e roupa prática, sem esquecer a garrafa de água na mão. Lá em cima, a regra tem de ser cumprida: primeiro o pé direito e só depois o esquerdo. A seguir, é obrigatório abraçar o marco.

“Para ter sorte é assim”, conta Leny. A vista daquela zona é, mais uma vez, imperdível.

O marco do Equador.

Depois de uns minutos de descanso e fotografias tiradas é preciso voltar para baixo. Espera-nos um novo desafio: uma volta de barco ao ilhéu. Tanto esta atividade como a visita a pé são ofertas do hotel.

Seguimos viagem até ao pequeno porto onde nos espera a embarcação. Coletes postos, os mais aventureiros (como a repórter da NiT) sentam-se na parte da frente do barco. As ondas fazem o barco baloiçar mais do que qualquer passageiro gostaria, mas daquela zona vê-se bem melhor.

Durante a volta, que dura cerca de uma hora, temos oportunidade de encontrar pequenas praias de sonho. Aproveitamos para perguntar a Leny pelas rolas que deram nome ao ilhéu. “Elas existiam mas os miúdos caçavam-nas para fazer churrasco. Agora, há poucas.”

Visto do barco.

No regresso, encontramos Pedro Alves, responsável pelo Dive Tribe, o centro de mergulho (com preços a partir de 40€) instalado ali há três meses. “Este é um dos spots mais ricos em coral. Está muito bem conservado, por isso é a zona ideal para apostarmos nesta atividade”.

O português conta que o mergulho mais fundo atinge os 30 metros e há sítios que qualquer “mergulhador que tenha a primeira certificação consegue fazer”. Quem preferir outro tipo de atividades, pode optar pelo snorkeling à volta do ilhéu, paddle ou passeio para ver os golfinhos ou baleias — os preços começam nos 15€.

Antes de regressarmos ao ponto de partida, o hotel, avistamos uma pequena capela. “A porta está fechada por causa das cabras, mas quem quiser ir ver o Santo São Francisco Xaviel é só pedir. Quanto à missa, o padre vem cá uma vez por mês”, explica Leny antes de se despedir.

É hora do almoço e o jovem tem de comer para depois se preparar para a volta da tarde. Se ainda tiver tempo, passa alguns minutos no computador no hotel. “Tenho de ver quais são as músicas no top do YouTube para saber que música tocar durante as animações. Como perdi o telemóvel tem de ser assim.”

A NiT despede-se do jovem e segue até ao spa, um sítio com uma marquesa a poucos metros da areia da praia. Entre as 9 e as 19 horas (exceto aos domingos), é possível fazer várias massagens, como a anti-celulite e adelgaçante durante 30 minutos por 45€ ou a massagem de assinatura com velas, óleos essenciais e manteiga de karité no corpo todo por 80€ (75 minutos).

O spa.

Depois de um almoço com direito a peixe azeite grelhado é altura de descansar até apanhar o barco de volta a São Tomé. Todos os dias, a travessia é feita duas vezes: o barco parte de São Tomé às 10 e as 17 horas; já do ilhéu tem partida marcada para as 10h30 e as 16h30.

Visita diária ao ilhéu

Pacote A: transfer de autocarro desde a cidade de São Tomé; transfer de barco e almoço buffet (sem bebidas). Custa 56€ por pessoa.

Pacote B: Transfer de barco e almoço buffet (sem bebidas). Custa 42€.

Pacote C: Transfer de autocarro desde a cidade de São Tomé; transfer de barco; menu Snack Bar (uma entrada e um prato principal à escolha, sem bebidas e sobremesa). Custa 43€.

Pacote D: Transfer de barco, menu Snack Bar (uma entrada e um prato principal à escolha, sem bebidas e sobremesa). Custa 29€.

Pacote de sete noites

Este pacote especial inclui passagem aérea (ida e volta) em voo da TAP de Lisboa para São Tomé em classe económica O, com direito a bagagem de mão. Ou passagem aérea em voo da TAP em classe G, com direito a bagagem de mão e bagagem de porão (lugares garantidos); estadia de sete noites (duas noites em São Tomé, quatro noites no Ilhéu das Rolas, uma noite em São Tomé); e transferes. Custa 372€.

A estadia no ilhéu inclui pensão completa com uma bebida sem álcool por refeição. Já as noites passadas no Miramar By Pestana Hotel, em São Tomé, têm direito a pequeno-almoço. O pacote inclui ainda batismo de mergulho na piscina, volta de barco ao ilhéu e visita guiada a pé.

Ou seja, o programa tem preços a partir de 1039€ por pessoa.