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Hotel em Atenas terá de demolir andares superiores por taparem vista da Acrópole

Moradores e ativistas falam em decisão "histórica" contra o hotel de cinco estrelas que, dizem, lhes retirou um direito.
O terraço do Hotel Coco-Mat.

Foi uma luta de mais de um ano por algo que para residentes, ativistas e muitos cidadãos que nem sequer foram diretamente afetados, era muito simples: o direito a apreciar vistas limpas da Acrópole de Atenas, sucessivamente tapada, pouco a pouco, pela construção e imobiliário. E desta vez praticamente destruída por um hotel de cinco estrelas.

O Hotel Coco-Mat, que nasceu da entrada na hotelaria de uma mega empresa de colchões grega com o mesmo nome, abriu em 2019 destacando como um dos seus postais um “terraço de tirar o fôlego”.

Porém, logo após a abertura, noticia o “The Guardian“, começou a contestação pelos cidadãos de Atenas, revoltados com o estabelecimento de dez andares a bloquear as vistas de dezenas de residentes face a um dos pontos mais bonitos, históricos e icónicos da cidade.

A luta durou mais de um ano e inclui petições online, contestação no governo, debates sobre as leis de construção planeamento, até que inesperadamente, e devido aos protestos, o conselho arqueológico da Grécia foi inesperadamente convocado. Após seis horas de debate conduzido por teleconferência, o comité de especialistas chegou à conclusão unânime de que o edifício multimilionário teria que ser reduzido, em nome da protecção do símbolo da democracia ocidental.

O hotel vai ter, agora, de demolir os seus dois últimos andares, ou seja os pisos do topo. “Quando a Acrópole é prejudicada, em essência nossa civilização também é prejudicada”, disse Lina Mendoni, ministra da Cultura grega. “A Acrópole é um símbolo. Não é simplesmente um monumento”.