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Esta portuguesa de 26 anos largou tudo para viajar — sozinha

Márcia Ferreira largou emprego, contrato, família, amigos, para ir à procura do seu sonho. Encontrou-o na Ásia, onde andou durante meses e sem medos, sozinha, e conta a história toda à NiT.

No Vietname.

Diz que até começar esta viagem seguiu o caminho “suposto”. Suposto pelos pais, pela família, pela sociedade. Não chegava, não lhe chegou. Aos 26 anos, Márcia Ferreira, portuguesa, licenciada, mestrada e com um emprego com contrato, largou tudo para ir viajar. E fê-lo sozinha. 

Já foi à Malásia, Indonésia, Vietname e Coreia do Sul. A jovem portuguesa tem um blogue fotográfico, chamado The Life of a Solo Traveler, onde regista as suas aventuras. Vai voltando a Portugal para reunir fundos, mas não desiste de ver o mundo, não consegue parar de viajar. A vida normal, a tal “suposta”, não lhe enchia as medidas.

E o “bichinho” foi acordado o ano passado, com uma viagem à Tailândia. “Licenciei-me em Gestão e Administração Pública e segui para um mestrado em Gestão Industrial. Trabalhei numa grande consultora, mas depois percebi que aquilo não era para mim (é muito giro a imagem que nos pintam na faculdade e nos recrutamentos mas… é a selva) e entretanto decidi rumar para a área da banca e por lá estive um ano e meio”, começa por contar à NiT.

Márcia tinha um contrato estável, vivia na casa dos pais porque o que recebia não lhe dava autonomia financeira para arrendar uma casa em Lisboa, e não tendo grandes gastos amealhava o que tinha para viajar. E no ano passado foi à Tailândia 10 dias e foi a viagem que lhe “virou o capacete”.

Aqui, já no Vietname.

“Nunca mais fui a mesma e assim que voltei comecei a questionar tudo. O trabalho rotineiro que tinha e que cada vez menos me preenchia, a sociedade que me pressionava para seguir o suposto, mas que não era nada do que eu queria” conta. “Casa, carro, um casamento ou os 15 dias de férias no Algarve. Não, nada disso. Eu precisava de mais, eu precisava de acordar e sentir algum tipo de realização. Precisava de parar. De um break de tudo e de todos. Por isso tomei uma decisão”.

Foi então que se despediu e, lembra Márcia, foi o caos. “Os meus pais chamaram-me louca. Antes disso, andei à procura de outro emprego, pensei que fosse simplesmente por estar cansada do que fazia. Lembro-me que numa semana fui a umas três entrevistas, mas a verdade é que nada daquilo fazia sentido para mim. Eu pensava “não te enganes Márcia. Não é isto que queres””.

Por isso, deu um mês à casa e tomou outra decisão. A mais difícil e a mais importante. “Vou dar mais um pontapé na vida. Já deixei o emprego e agora vou deixar a minha família, os meus amigos e vou ao encontro do desconhecido. Vou viajar sozinha”.

Diz que os pais ficaram de queixo caído. Não queriam acreditar que a menina deles (é filha única), “aquela que ia todas as sextas-feiras jantar fora, e que primava por ver a última coleção da Zara, queria ir para a Ásia. SOZINHA”. Lembra-se que foi muito difícil ter o apoio deles, e de muitos dos que a rodeavam na altura.

Mas não quis saber. “Simplesmente segui o meu coração e sentia-me livre pela decisão que estava a tomar. Sentia que aquele era o meu caminho. Independentemente de dar certo ou errado. Eu precisava de experimentar”, garante. E assim foi.