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Bunker nuclear da Guerra Fria é uma atração turística — as fotos são assustadoras

O Barnton Nuclear Bunker marcou uma época única na história mas foi devastado por um fogo e deixado ao abandono durante anos.
A área de cozinha antes da restauração.

Durante anos, contou-se na Escócia a história de um bunker nuclear da Guerra Fria, escondido a 100 metros abaixo do solo e criado nos anos 50, à espera de uma guerra com a Rússia que nunca viria a chegar — e de bombardeamentos nucleares que nunca chegariam a acontecer. O bunker teria sido feito, segundo a lenda urbana, para albergar a própria família real britânica, caso a invasão soviética acontecesse no momento em que a nobreza estava na Escócia — ou então o governo, se fosse esse o caso.

Anos mais tarde, o mito de que o Bunker de Barnton Quarry foi construído a pensar para salvar a rainha de Inglaterra viria a ser desmentido pela Casa Real, mas tudo o resto é real. Ele existiu, teve uma conotação política e poderia servir para albergar membros do governo, ou até a própria BBC, a rádio estatal — até tinha uma sala de transmissão no seu interior. O espaço ficou abandonado durante décadas, nunca chegando a ser utilizado porque a guerra com os soviéticos também nunca deixaria de ser fria.

Foi a época histórica mais paranóica de sempre. Escondido dentro de uma colina em Corstorhine Hill, a menos de oito quilómetros de Edinburgo, numa antiga pedreira, foi construído em 1952 um enorme bunker nuclear subterrâneo, com paredes de cimento concreto de 10 centímetros, à prova de ataques.

Ainda antes do bunker, a pedreira de Barnton já tinha sido usada militarmente durante Segunda Guerra Mundial. E quando a Guerra Fria começou, nasceu ali o Centro de Operações Setoriais, uma espécie de quartel general desta enorme rede, no território, que se dedicava à detecção de eventuais ataques soviéticos.

No entanto, os ataques nunca chegaram e quando o pânico dessa possibilidade se desvaneceu, o bunker ficou simplesmente abandonado: mudou de dono, foi vendido duas vezes, devastado por dois gigantes fogos, pilhado — apesar de ter vestígios de amianto — e completamente ignorado. Pelo menos até há poucos anos.

O seu último grupo comprador já é dono de um museu da época em Northumberland, outro bunker-museu muito popular. E dada a dimensão do bunker de Barnton, este aglomerado de investidores criou e liderou um mega projeto de cidadania e voluntariado, uma empreitada lançada em 2012 que pretende renovar completamente o espaço e transformá-lo num museu aberto para toda a gente.

O Projeto de Restauração da Pedreira de Barnton tem até uma página de Facebook, onde mostra ao detalhe o passado do espaço, todas as obras que estão a ser realizadas, onde são feitos os pedidos de mais voluntários e os restantes progressos deste projeto.

Estes progressos são complicados e lentos, dada a dimensão da empreitada, mas estão lá; os corredores tiveram de ser recuperados, a engenharia toda reforçada e as luzes instaladas. Os tetos, corroídos pelo gelo e pelo fogo, tiveram também de ser construídos. O mato à volta já foi desbravado para prevenir mais incêndios.

O grupo pretende restaurar o espaço exatamente como estava em 1952 e abrir como um museu para que os visitantes possam experimentá-lo e viajar ao passado. Este espaço museológico, que já teve data marcada de abertura para este ano, atrasou agora a inauguração para 2021.

Carregue na galeria para conhecer melhor o bunker nuclear de Barnton Quarry nas suas três fases: nos seus tempos áureos; à espera da Guerra Nuclear, depois do incêndio e abandonado; e agora, já em fase de recuperação. Todas as fotos são do grupo de recuperação do bunker.