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Berlim vai comemorar os 30 anos da queda do Muro com uma semana de festa

Cidade tem novas atrações como uma viagem no tempo e vai assinalar data histórica em grande. A NiT diz-lhe como pode lá estar.
Vai haver um espetaculo visual nas Portas de Brademburgo. Foto visitBerlin, Dagmar Schwelle.

De uma capital dividida por um muro (e não só) a uma cidade livre e um dos principais destinos históricos e turísticos da Europa. Berlim mudou muito nas últimas décadas e viveu um dos seus maiores momentos há exatamente 30 anos. A 9 de novembro de 2019 assinalam-se três décadas da queda do muro de Berilm e como não poderia deixar de ser a cidade vai estar em festa, sendo uma altura perfeita para a conhecer — ou lá regressar. Os voos ainda estão baratos por isso corra: a NiT diz-lhe como o pode fazer.

Foi um momento que marcou a história mundial, símbolo da passagem de um país — e da sua capital —, antes divididos por uma guerra e separados por realidades totalmente diferentes, para um caminho em direção à normalidade e unificação.

A história do dia 9 de novembro de 1989 começa meses antes: a Guerra Fria estava a terminar e o muro parecia cada vez mais obsoleto. Nesse dia, o Partido Comunista de Berlim Oriental anunciou que a partir da meia-noite todos os cidadãos poderiam atravessar livremente de leste para oeste ou vice-versa, sem restrições. Os berlinenses juntaram-se todos no muro horas antes, a beber e cantar: e quando os portões abriram foi a loucura total.

Todos os dias que se seguiram foram de festa. Visitavam-se os dois lados, comia-se e bebia-se na rua, derrubavam-se, como se conseguia, pedaços da simbólica parede, escreviam-se frases de celebração nos blocos que aguentavam — muitos ainda podem ser vistos hoje em dia, na East Side Gallery.

30 anos depois, e por ocasião de 9 de novembro, um grande número de eventos em Berlim celebra esta data. Segundo o Turismo da Alemanha, a festa dura todo este ano, mas no aproximar de novembro ganha força — e durante uma semana é mesmo a celebração total. Inúmeros eventos e exposições estão a acontecer em Berlim por volta do aniversário, pelo que vale a pena a ida.

Segundo explica esta entidade, já em 2014, o 25.º aniversário da queda do Muro de Berlim foi comemorado em festa. Este ano, Berlim planeou um grande festival, que acontecerá de 4 a 10 de novembro de 2019.

Uma área de exposições e eventos ao ar livre será criada em sete locais da cidade. Esses locais foram importantes nos eventos de 1989 e os visitantes podem seguir assim uma Rota da Revolução em Berlim.

Espetáculos multimédia vão iluminar locais associados à Revolução Pacífica (como a Alexanderplatz, a Schlossplatz ou Kurfürstendamm) e as Portas de Bradenburgo terão uma instalação suspensa com 30.000 mensagens escritas por gente de todo o mundo, uma forma artística de recordar os cartazes empunhados em 1989.

Este lugar icónico acolherá também um grande espetáculo a 9 de novembro – data em que o Muro começou a ser derrubado – e as festividades vão até estender-se a mais de duas dezenas de estabelecimentos noturnos. Pode saber mais sobre o muro e esta celebração online.

Já que está em Berlim, saiba que há várias novidades este ano na cidade. Os 100 anos da revolucionária escola Bauhaus estão a ser celebrados numa grande exposição, há novos hotéis e restaurantes e novos museus.

O novíssimo Futurium é um deles. Abriu este mês de setembro junto à Estação Central de Berlim e, como o nome sugere, é um espaço totalmente dedicado ao futuro. No Museu descobrem-se possíveis cenários que abordam temas como o trabalho, o progresso tecnológico ou os recursos naturais; e no Laboratório todos os visitantes são convidados a meter mãos à obra, por exemplo testando protótipos ou criando os seus próprios projetos em impressoras 3D e outros modernos equipamentos à disposição. Há ainda um Fórum onde têm lugar debates, concertos e intervenções artísticas. 

Outra grande novidade da cidade é a Galeria James Simon. O único edifício construído em quase um século na célebre Ilha dos Museus, Património Mundial, abriu neste verão e já inaugurou a sua primeira exposição. Trata-se de uma mostra comemorativa do segundo centenário da Gipsformerei, instituição dos Museus Estatais de Berlim que produz réplicas de obras de quase todas as épocas e culturas, desde a Vénus de Willendorf, esculpida há 25.000 anos, ao famoso busto de Nefertiti ou ao Pensador, do mestre Auguste Rodin. Até 1 de março de 2020.

Dentro das novidades, esta pode chamar muitas atenções: uma viagem virtual aos anos 80, que precisamente lhe mostra como era o dia a dia em Berlim Leste e em Berlim Ocidental. A nova atração Time Ride, inaugurada no final de agosto, transporta os visitantes até meados da década de 80 com recurso a modernas tecnologias como óculos de realidade virtual. Fica situada junto Checkpoint Charlie, o posto de controlo mais famoso da cidade e um dos locais mais procurados e fotografados pelos viajantes.

A Time Ride Checkpoint Charlie (créditos TimeRide).

Em ano de 30.º aniversário, há ainda lugares de visita obrigatória como o Memorial do Muro e o Centro de Documentação na Bernauer Strasse. A exposição permanente “1961 -1989. The Berlin Wall” revela muito sobre o Muro e a Alemanha dividida através de objetos, audiovisuais e documentos biográficos. Mas há mais a visitar, nomeadamente a vizinha Capela da Reconciliação e a “estação fantasma” de Nordbahnhof, com uma mostra sobre estas estações fortemente guardadas por soldados da ex-RDA para garantir que os comboios que passavam vindos do ocidente não paravam e impedir tentativas de fuga.

Se preferir, no museu do Leste DDR Museum pode aprender mais sobre a vida na Deutsche Demokratische Republik (ou República Democrática Alemã). Aqui há um apartamento típico equipado com mobiliário e objetos da época e até uma cela de prisão. Além disso pode conduzir, num simulador 3D, um Trabant, mais conhecido por Trabi, o automóvel produzido na antiga Alemanha de Leste que entretanto se tornou um carro de culto.

Finalmente, no âmbito das comemorações dos 100 anos da mais importante escola de arquitetura arte e design do século XX, a exposição Original Bauhaus – The centenary exhibition inaugurou a 6 de setembro na Berlinische Galerie. Provenientes do Bauhaus-Archiv de Berlim ou emprestados por importantes coleções internacionais, mais de 1.000 originais integram esta exposição especial, que também revela interessantes histórias por detrás dos objetos. Pode ser vista até ao dia 27 de janeiro de 2020.

Para comer, de 21 a 27 de outubro realiza-se a Berlin Food Week: uma mostra de produtos e tendências tem lugar no Bikini Berlin (um centro comercial diferente e que até tem vista para o Jardim Zoológico) e mais de 60 restaurantes e estabelecimentos similares.

E para dormir, nada como estrear um novo hotel — sobretudo se é incrível e em conta.O The niu Hide foi inaugurado em maio no topo de um centro comercial da Frankfurter Allee. A ideia de “Eastalgia”, ou nostalgia do Leste, é o mote da decoração que inclui o papel de parede comummente usado da República Democrática Alemã, mobiliário e acessórios vintage mas também street art assinada pela dupla de artistas (e DJ) Gigi & Amando. Os quartos duplos começam nos 55€, dependendo da data e antecedência da reserva.

Se preferir, outro recente hotel berlinense é o Amo by Amano. Este tem a particularidade de ficar parcialmente debaixo do solo, nomeadamente a receção. Situado na Friedrichstrasse, combina características da cidade e arquitetura moderna, possui 93 quartos e um restaurante dedicado à gastronomia israelita. Conta ainda com um bar, também subterrâneo, animado por DJ aos fins de semana. As noites custam desde 65€, variando consoante a antecipação da reserva e o período da estadia.

Para chegar lá, ainda consegue pechinchas pelo que nem precisa de hesitar muito: há voos de 4 a 9 de novembro, na altura do auge das celebrações, a partir de 151€: ida e volta de Lisboa, pela Ryanair.