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Assaltos a mercados, falências e comida: crise em Itália também é social

O sul do país mais flagelado pelo coronavírus tem agora um problema emergente. Mas já há medidas para o tentar travar.
Palermo, na Sicília, um dos locais afetados por este novo problema.

A Itália é o país da Europa mais fustigado pela pandemia do novo coronavírus, com mais de 97 mil casos confirmados e dez mil mortes até este domingo, 29 de março. Trata-se de uma luta contra o vírus que tem sido em muitos aspetos árdua e desigual — e que não tem, ainda, fim à vista. No epicentro desta batalha encontra-se o norte do país, nomeadamente a região da Lombardia, onde se concentra o maior número de casos e onde começaram primeiro — e são mais graves — os problemas sanitários, como a falta de camas e de ventiladores.

Mas no sul, a região mais pobre de Itália, a crise começa a ser outra, alertam várias agências locais e internacionais. Nos últimos dias, está a crescer uma clara agitação social devido às perdas de empregos e de rendimentos com uma quarentena imposta que já leva mais de duas semanas. E que, já se sabe, será quase certamente renovada a 3 de abril, depois disso sem fim à vista.

Enquanto o país luta para controlar o vírus e o isolamento parece mesmo ser a única solução para salvar vidas, teme-se já um outro problema também de sobrevivência. Há meios que já falam de casos de pessoas a passar fome.

Segundo uma reportagem da “SkyNews” que passou este fim de semana, a tensão económica e social na zona sul do país tem sido crescente. Existem registos, e vídeos, da polícia a ser chamada por cidadãos que suplicam por ajuda e dinheiro, para comprar comida para a mãe idosa, por exemplo. Há quem diga que nem consiga aceder ao banco, ou que perdeu todo o rendimento.

Também há noticias de roubos de supermercados: em alguns casos de pessoas comuns, que fogem sem pagar a conta, noutros parecem organizados, começando alguns destes assaltos a ser decididos e incentivados nas redes sociais.

Ao canal britânico, o presidente da Câmara de Palermo, na Sicília, disse que existiriam gangues a aproveitar-se das dificuldades de muitas pessoas para incitar a violência, pretendendo criar um estado de caos onde a instabilidade seria certa e o roubo seria fácil.

Leoluca Orlando, o autarca, avisou ainda que quanto mais o tempo passa, mais recursos se esgotam. A verdade é que nada em Itália — a pandemia, o cerco — tem fim à vista.

Para tentar conter esta situação crescente, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou no final da passada semana que iria disponibilizar 25 mil milhões de euros para apoiar famílias e empresas afetadas pelo bloqueio, mas os meios locais duvidam que chegue às pessoas que verdadeiramente necessitam.

Com lojas a fechar, famílias a colocar vídeos na Internet onde pedem dinheiro, a economia paralela a crescer, será difícil chegar a todos e para já têm sido as instituições de caridade a ajudar.

Segundo adiantou o “The Guardian” este domingo, 29 de março, o governo decidiu que, do pacote, 400 milhões de euros serão dedicados a um fundo de emergência de comida. Ou seja, vales de comida para distribuir.

Giuseppe Conte fez o anúncio no final do dia de sábado, depois de terem surgido os primeiros relatos de centenas de pessoas no sul sem comida e sem dinheiro. “Sabemos que muitos sofrem, mas o Estado está lá”, garantiu.