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As misteriosas pequenas aldeia no norte de Itália que resistem à pandemia

Apesar de estarem no pior lugar possível, continuam sem casos de infetados. Os especialistas não encontram uma explicação.
Montaldo Torinese parece ser um bom sítio para viver

Em menos de um mês, Itália transformou-se no epicentro do surto do novo coronavírus. E no olho do furacão está o norte do país, onde quase todos os recordes estatísticos foram batidos: há milhares de mortos, muitos mais infetados e hospitais à beira da rutura. Porém, não é assim em todos os locais.

Na mais atingida região da Lombardia, a apenas 50 quilómetros de Milão, encontra-se Ferrera Erbognone, casa de pouco mais de mil italianos com uma idade média acima dos 60 anos. Nem o facto de quase todos os habitantes estarem na faixa etária mais vulnerável parece quebrar a resistência. Ao fim de mais de um mês de inferno em Itália, nenhum deles testou positivo para a Covid-19 — uma situação estranha que está a despertar a atenção de cientistas.

De tal forma que o Instituto de Neurologia de Mondino, em Pavia, decidiu levar a cabo um estudo do sangue dos habitantes de Ferrera Erbognone, para tentar perceber se algo os torna imunes ao novo coronavírus.

Vai ser feito um estudo aos habitantes de Ferrera Erbognone

A menos de 100 quilómetros, em direção a Turim, há outra pequena aldeia com 700 habitantes que também teima em desafiar as estatísticas. Neste caso, há quem avance com uma explicação rápida para esta espécie de invulnerabilidade da população de Montaldo Torinese: as propriedades mágicas da água de um poço da região.

Segundo a lenda, foi ali que as tropas de Napoleão Bonaparte chegaram, afetadas por uma pneumonia que, curiosamente, desapareceu quando ali estacionaram temporariamente em 1800, antes de uma batalha em Marengo.

“Curaram-se graças ao ar límpido do campo e a água pode ter ajudado. Hoje, o poço está fechado e a água só é usada para regar os campos. Já não se pode beber”, revela o autarca Sergio Gaiotti, em declarações ao “The Guardian”.