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As Joshua Tree podem desaparecer — e o parque com o seu nome ficará vazio

As árvores, que na verdade são yuccas, estão à beira da extinção, avisam os cientistas mundiais.
O parque nacional do deserto da Califórnia.

Sobreviveram milhares de anos, aguentaram intempéries e catástrofes naturais, temperaturas elevadas e geladas. Inspiraram um dos melhores discos de todos os tempos, são ponto de visita e de passagem para milhares de turistas, todos os anos, no parque com o seu nome. E podem estar completamente desaparecidas no final deste século, avisam os cientistas.

Os dias das Joshua Trees estão tecnicamente contados, advertiu um novo estudo científico da Universidade de Riverside, na Califórnia. Esta espécie emblemática do deserto californiano de Mojave, imortalizada pelo grupo U2 no seu álbum “Joshua Tree”, pode estar completamente extinta no final do século por causa das alterações climáticas. E, claro, o Joshua Tree National Park pode ficar sem as suas Joshua Tree.

Os autores do artigo culpam o aquecimento global. Dizem no documento que a árvore, que na verdade é uma Yucca (Yucca brevifolia), espécie de arbusto da família agave, aguentou milhares de anos mas, ao que tudo indica, não aguenta o que aí vem.

As árvores são normalmente apelidadas de “punhal do deserto”, e conhecidas pelas flores brancas, que aparecem de fevereiro até o final de abril. Além da referência musical, são famosas no mundo inteiro principalmente devido ao incrível parque com o seu nome, a pouco mais de 60 quilómetros de Palm Springs e a 200 quilómetros de Los Angeles, no meio do deserto.

Pessoas de todo o mundo visitam anualmente este cenário meio surreal, feito de chão vermelho ou arenoso, de céu incrivelmente estrelado, de rochas gigantes e das tais árvores, já descritas pela “National Geographic” como “um símbolo internacional do deserto americano”.

As yuccas são nativas ao sudoeste dos EUA e crescem selvagens praticamente só aqui, no deserto de Mojave — não existem em nenhum outro lugar do mundo. E demoram mais de 60 anos a amadurecer, o que pode dificultar o seu futuro.
 

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#joshuatreenationalpark

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No novo estudo, o Centro de Biologia da Conservação da UC Riverside analisou como as “árvores” do parque se sairiam sob vários cenários climáticos, e os resultados nunca são bons.

Num cenário onde pouco é feito para travar as alterações climáticas, a modelagem dos cientistas indica “uma eliminação quase completa das árvores do parque” até ao final deste século. No ano 2100, este espaço “poderia parecer uma floresta de árvores mortas e nenhuma nova”.

Os cientistas cruzaram os seus modelos com os cenários de emissões do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU e previsões futuras baseadas nos cenários de emissões criados por especialistas em climatologia. No tal cenário mais pessimista, pode-se concluir que os milhares de hectares do parque nacional experimentariam um aumento das temperaturas estivais de entre 2,8°C e 5°C, e uma diminuição nas chuvas anuais de 75 a 180 milímetros. Neste caso, as árvores simplesmente não iriam aguentar. A prova? Não têm aguentado noutros desertos com estas características.

Num outro cenário, de ação global sobre as mudanças climáticas, o habitat ainda poderia ser preservado, mas não totalmente.

Segundo os biólogos californianos, no melhor dos casos, se a humanidade moderar suas emissões de gases de efeito estufa, o habitat adequado para as árvores diminuiria até 80 por cento do século XXI.

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Desert nature. California

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Segundo vários media norte-americanos, esta espécie data da época do Pleistoceno, quando grande parte do mundo ainda era coberto de glaciares. 

Os pesquisadores frisam que estes cenários dependem quase inteiramente do que as entidades continuarem a fazer para mitigar as mudanças climáticas, reduzindo as emissões de carbono nos próximos anos. “Temos uma gama de cenários”, disse Lynn Sweet, principal autor do estudo, ao “LA Times“. “Se houver uma ação global sobre a mudança climática, poderemos preservar o habitat”. A mesma responsável frisa que a boa notícia é que a Califórnia já estabeleceu metas ambiciosas para reduzir os gases do efeito estufa, adotando formas mais limpas de energia.

“Desde que façamos algo, e algo significativo, há lugares no parque onde as Joshua Tree se reproduzirão e se sairão bem”, concluiu.