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A Estátua da Liberdade tem um novo museu — é gratuito e conta uma história incrível

O moderno espaço abriu a 16 de maio. É o maior upgrade na ilha, desde que o monumento foi terminado em 1886.
A tocha original está lá (Foto do Instagram).

É um dos monumentos mais visitados do mundo, um marco de Nova Iorque e dos Estados Unidos da América e provavelmente o item que a maioria dos turistas em Manhattan tem na sua lista de locais imperdíveis. Todos os anos, mais de quatro milhões de pessoas vão a Liberty Island e à sua Estátua da Liberdade, ali erguida no final do século XIX, um símbolo da luta por um mundo mais livre. Agora há um novo museu, ainda por cima gratuito, que conta a sua história e lhe presta homenagem.

Inaugurado a 16 de maio, o espaço de 24 mil metros quadrados foi construído com recurso a uma campanha de recolha de fundos privados por parte de uma fundação, a Ellis Island Foundation. A designer de moda Diane von Furstenberg foi a presidente do grupo que arrecadou a soma necessária (cerca de 90 milhões de euros) e, em pouco mais de quatro anos, conseguiu erguer-se o projeto que celebra a icónica estátua.

No novo Museu da Estátua da Liberdade está agora a tocha original e de outros artefactos marcantes, que antes estavam num pequeno espaço museológico, dentro do seu pedestal.

A tocha original foi desenhada pelo escultor da estátua, Frédéric-Auguste Bartholdi, e entregue à América em 1885, tendo sofrido várias mudanças estilísticas e estruturais ao longo de sua longa vida antes de ser substituída por uma nova, em 1984.

No campo dos objetos icónicos, o museu tem também um gráfico de parede gigante, com uma citação do escultor Frédéric-Auguste Bartholdi, bem como uma imagem em tamanho real do rosto da estátua.

A ideia de abrir um novo espaço, na mesma ilha da Estátua mas independente e ligeiramente afastado dela, foi a de dar a opção a quem quisesse conhecer mais a sua história, sem necessariamente ter de subir e entrar no monumento principal.

Isto porque, desde os atentados do 11 de setembro de 2001, que a Câmara de Nova Iorque limitou o número de turistas que acediam à estátua, por motivos de segurança. Além disso, o acesso e subida à estátua são pagos, pelo que muitas pessoas limitam-se a visitar a ilha onde fica o monumento, mas não chegam a entrar — apenas 20 por cento o faz.

O bilhete para a novidade está incluído na compra da viagem de barco para lá chegar, que custa cerca de 17€ por adulto.

O espaço tem as paredes de vidro e o teto cor de cobre, para se fundir com o característico tom do monumento principal. Tem ainda uma escadaria gigante e é todo sustentável.

O novo espaço.

Os arquitetos pretenderam melhorar a experiência de ver a estátua de fora, integrar os dois espaços numa linha coerente, além de, claro, criar áreas onde caiba toda a sua história, conhecida através de visitas que podem ser livres ou digitalmente guiadas, em 13 idiomas.

No interior há três espaços de galerias principais, começando por uma espécie de cinema onde os visitantes passam enquanto assistem a filmes sobre como surgiu a ideia da estátua, os esforços de construção que foram iniciados em França até à sua chegada a Nova Iorque. É ainda explicada a história da liberdade, o que significava então face ao que significa nos tempos modernos.

Este Immersive Theatre apresenta espetáculos multimédia de oito a dez minutos que começam pelo fim da Guerra Civil dos Estados Unidos e a Proclamação da Emancipação que formalmente acabou com a escravidão, eventos que inspiraram o artista francês Frédéric-Auguste Bartholdi a criar a estátua.

Um dos filmes, intitulado “Liberdade iluminando o mundo”, mostra a vista panorâmica do porto de Nova Iorque na década de 1870 antes da Estátua da Liberdade mudar a linha do horizonte; e conta depois a história resumida de como e por que a estátua foi criada e oferecida como presente de França para o povo dos Estados Unidos.

Uma segunda galeria entra no mundo da construção, com exposições destinadas a mostrar como seria o estúdio de Bartholdi, e os modelos e moldes usados, tendo ainda uma réplica do pé da estátua. Depois, explica como ela se tornou icónica, não apenas na cultura americana, mas em todo o mundo.

Finalmente, na terceira sala, os visitantes são encorajados a tirar auto-retratos digitais e a acrescentar pensamentos sobre o que a liberdade significa para eles, enquanto conhecem a tocha original e uma réplica do rosto da estátua.

Todo o percurso tem tecnologia de realidade aumentada, que sobrepõe a animação a um ambiente real. A par da inauguração do museu, foi lançada uma nova app da Estátua da Liberdade, disponível apenas para iOS, que permite visitar o museu, e monumento, esteja onde estiver. Se for ao museu, ele funciona como guia.

A inauguração de 16 de maio contou com a presença de várias personalidades, incluindo a apresentadora Oprah Winfrey.