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Sugestão NiT: os Moinhos de Ovil são o paraíso perdido do Douro

Uma casa na árvore para os miúdos, camas de rede, uma cama junto ao rio e um barco onde até pode dormir uma sesta. Pode ser tudo seu, sem dividir com ninguém.

Este sítio é incrível. A sério, nunca mais vai querer sair daqui.

Para contar a história dos Moinhos de Ovil é preciso recuar às tainadas da família Oliveira. Não sabe o que é que isto quer dizer? Nós também não, e foi por isso que tivemos de perguntar à proprietária, Eduarda Santos, o significado daquela palavra. “É uma expressão que utilizamos muito no Norte, e que basicamente significa conviver”, explica-nos. Essencialmente é uma festa, uma petiscada, onde não falta comida e bebida.

Para fazer tainadas com a família e amigos aos fins de semana, há aproximadamente dez anos o pai de Eduarda, Mário Oliveira, arrendou esta casa coladinha ao rio Ovil, na região de Baião, no Douro.

“Apaixonei-me no primeiro segundo”, conta à NiT a dona dos Moinhos de Ovil, uma portuense de 48 anos. “Pensei: ‘Isto tem que ser meu’. E eu não sabia bem porquê: não tinha dinheiro, não tinha nada, mas assim foi. Conheci a D. Amélia, esposa do moleiro [proprietária da quinta], que tem 92 anos, e esta senhora, muito à vontade, disse aquilo que nós também dizemos muito no Norte: ‘Ó filha’ [ri-se]. Se queres isto, se isto é para ser teu, vai ser’.”

E foi. No ano a seguir Eduarda Santos comprou a quinta de dois hectares, sempre com o intuito de receber os amigos e familiares para uma escapadinha de fim de semana diferente. Durante muitos anos manteve-se assim, até um dia uns amigos deixarem a ideia no ar: “Porque é que não pensam nisto noutra forma? Deixem outras pessoas sentir isto”, disseram-lhes.

Eduarda ficou a pensar naquilo. Tanto que decidiu avançar com a ideia. Sem arquitetos nem decoradores, iniciou o processo de recuperação dos três moinhos abandonados, que resultaram na Casa dos Moinhos, uma casa com cozinha, sala, quarto, casa de banho “e a melhor varanda do mundo”. Já a Casa do Moleiro, onde a família fazia as suas tainadas, foi remodelada e viu nascer dois quartos de casal e uma casa de banho. Em homenagem à antiga proprietária, recebeu o nome Casa da Dona Amélia.

A privacidade é uma das características mais importantes dos Moinhos de Ovil. Quem fica a dormir neste espaço não tem de se preocupar em dividi-lo com ninguém — seja um grupo de amigos, uma família de quatro ou apenas um casal, a quinta é toda deles. Deles e de mais ninguém. Eduarda Santos, que é natural do Porto e vive ainda na cidade, também garante que não incomoda ninguém. Só está lá no momento do check-in, a seguir vai-se embora. “Por muito simpático que o dono seja, se está lá a perguntar se está tudo bem, pode tornar-se num incómodo.”

E tudo o que Eduarda menos quer fazer é incomodar. Até porque esta é uma experiência dos sentidos, das cores e dos cheiros. Do copo de vinho que se bebe com os pés no rio, das sestas que se fazem no puff dentro do barco, das tábuas de queijos e enchidos que se desfrutam na cama ao pé da água. Não é apenas uma escapadinha, é um conjunto de sensações.

“O meu projeto vive do lado sensorial. Não descuro nenhum pormenor — a música que é escolhida para quando os hóspedes chegam, eles vão lembrar-se dela daqui a 20 anos.” O mesmo acontece com os cheiros, que se querem também únicos: “Demorei mais tempo a escolher o detergente para a roupa de cama do que a própria roupa.” Já agora, a escolha recaiu no detergente de sabão. “É um cheiro muito nosso, genuíno, tradicional.”

Na decoração também não houve pormenores deixados ao acaso. “Quando decidi adaptar este espaço ao turismo, tirei tudo o que era pessoal mas tentei dar-lhe um cunho simples. Mas com detalhe, muito detalhe.”

“Demorei mais tempo a escolher o detergente para a roupa de cama do que a própria roupa.”

Ora vejamos: a cama é um estrado com rodas, feita com madeira velha, cheia de histórias. A porta do quarto é em madeira de um antigo armazém de tabaco, o puxador veio de uma Igreja. Nos Moinhos de Ovil também há alguns objetos do pai de Eduarda — o pai dele era carpinteiro, Mário Oliveira não era mas gosta muito de trabalhar a madeira. Foi ele quem fez algumas mesas de apoio, as tábuas onde são servidos os queijos e enchidos — são feitas em madeira de oliveira, precisamente pelo apelido da família ser oliveira —, e até um cadeirão que está na casa de banho.

“Este cadeirão foi feito antes dos Moinhos e está assinado com as iniciais do meu pai — MO. Curiosamente, são também estas as iniciais dos Moinhos de Ovil.” Foi uma feliz coincidência.

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