Turismos rurais e hotéis

Sugestão NiT: na Aldeia da Pedralva (quase) todas as casas estão para arrendar

António Ferreira apaixonou-se por uma aldeia com apenas nove habitantes e 50 casas, 40 delas em ruínas. Foi amor à primeira vista — embora a ideia de abrir um turismo de aldeia só tenha chegado depois.

Quando António Ferreira chegou à aldeia, só havia nove habitantes.

António Ferreira não acredita que tenhamos apenas uma vida. Não tem nada a ver com crenças no além, apenas na capacidade do ser humano se reinventar. Foi exatamente isso que ele fez quando, aos 34 anos (hoje tem 45), decidiu que estava na altura de deixar a carreira de publicitário e fazer uma coisa completamente diferente — mesmo que na altura não soubesse o quê.

“Pus mesmo na agenda para não falhar: dezembro de 2005. Tem de ser assim, senão uma pessoa não para”, conta à NiT o proprietário da Aldeia da Pedralva, António Ferreira. Naquele momento, o lisboeta ainda não sabia exatamente o que ia fazer, mas aparentemente o universo já andava a conspirar contra ele (ou a favor dele, na verdade). Antes de lhe falarmos sobre o espaço, vamos fazer uma pausa para lhe contar a história de António e de como surgiu a Aldeia da Pedralva. Vale a pena.

No final de 2005, António Ferreira andava pela região à procura de uma casa de férias. Foi um colega de trabalho, hoje seu sócio, Luís Naiva, que lhe falou na aldeia da Pedralva. Uma povoação praticamente abandonada, no concelho de Vila do Bispo, tinha apenas nove habitantes e 50 casas, 40 delas em ruínas. António Ferreira comprou uma casa numa das pontas da aldeia, mas naquele momento ainda não imaginava no que aquilo se iria transformar.

“Visitei a aldeia mais uma ou duas vezes, e numa dessas visitas ainda comprei mais duas casas. Foi nessa altura que achei que era possível fazer qualquer coisa e juntar a minha ideia de mudar de vida.”

A Aldeia da Pedralva abriu em 2010 e é composta por 24 casas de campo, um restaurante típico chamado Sítio da Pedralva e um Café Central aberto todo o ano. Há ainda a zona do forno da aldeia, uma estação de lavagem de bicicletas e uma piscina. Classificado como um turismo de aldeia, tem ainda um centro de atividades com 32 bicicletas, material de caminhada e propostas para fazer surf ou mergulho.

Tal como num circuito de dominós, onde todas as peças têm de estar no local certo para que a magia aconteça, também a história da Aldeia da Pedralva foi feita de pessoas (e timings) perfeitos. Só que não foi tão rápido como toda a gente queria. Nos primeiros dois anos, António Ferreira andou “de cima para baixo” à procura dos mais de 200 proprietários ou herdeiros que detinham casas na aldeia da Pedralva, para adquirir um conjunto de 30 casas.

E foi difícil? “Foi, porque as casas não tinham uma placa a dizer ‘vende-se’. Tive de ir às Finanças, fazer um desenho da aldeia, encontrar um número de contacto para cada casa e começar por aí. E às vezes não estamos a falar com a pessoa certa, não encontramos a pessoa; depois quando encontramos descobrimos que são mais 20…”

E ainda havia os alemães, que já tinham saído da aldeia há quase duas décadas.

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