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Sugestão NiT: O Monte Falperras foi o único que sobreviveu ao Alqueva

  • Neste turismo rural, que começou a ser reconstruído há mais de vinte anos, pode ver as estrelas do primeiro céu a receber uma classificação da UNESCO. 
Só esta casa é que sobreviveu à construção da barragem.

Foi em 2002 que foi oficialmente inaugurada a Barragem do Alqueva, na região do Alentejo. Com a construção desta estrutura, que representa hoje o maior reservatório de água em toda a Europa, muitas aldeias e propriedades daquela região ficaram completamente submersas pelas águas do Alqueva.

O Monte Falperras foi a única que sobreviveu, e Diogo Apóstolo Verdão, arquiteto lisboeta de 49 anos, tem vindo a recuperar gradualmente esta propriedade, que era do avô.

“Comecei a recuperá-la há mais de 20 anos, muito lentamente”, conta à NiT. “Foi uma herança de família e o único monte que ficou fora de água aqui nesta zona. Não foi pensada para ser um projeto de turismo, mas foi uma hipótese que existia na altura.”

A casa com aproximadamente 600 metros quadrados começou a receber os primeiros hóspedes em 2010. Tem seis quartos, todos entre 20 e 25 metros quadrados, que foram ampliados durante as obras, pensadas por Diogo e pela companheira, Inês Amado Cortevil, ambos arquitetos. Mas engane-se se julga que está a entrar num espaço já terminado, ainda há muito para fazer neste monte.

“O Monte teve de levar obras de total requalificação, e comecei a trabalhar nisto muito lentamente porque dividia-me entre o Alqueva e Lisboa. A obra em si nunca acaba, há sempre mais qualquer coisa para fazer, por mais pequena que seja.”

A decoração foi pensada pelos dois arquitetos, que desenharam algumas peças especialmente para o espaço. Mas também foram aproveitando vários objetos que encontraram ao longo dos anos, como é o caso dos pedaços de xisto utilizados nas paredes dos quartos, que Diogo começou a recolher ainda antes das aldeias à volta do monte ficarem debaixo de água.

“Foram aproveitados da Casa da Luz, da aldeia com o mesmo nome”, conta à NiT. “Antes da demolição total da casa fui lá e trouxe algumas peças, assim como de outras demolições. As casas aqui na região são todas de xisto de moura, que já não existe porque as pedreiras ficaram todas submersas”

Existem quatro tipos de quartos, os Alpendre, Alpendre Superior, Standard e Standard Superior. São praticamente iguais, a única diferença é que os superior são ligeiramente maiores. Os quartos Alpendre, tal como o nome indica, estão virados para o Alpendre da casa.

“A obra em si nunca acaba, há sempre mais qualquer coisa para fazer, por mais pequena que seja”, conta Diogo à NiT.

No exterior existe uma piscina, mas as melhores atividades, explica Diogo, fazem-se fora do Monte Falperras, na região do Alqueva. Há passeios de bicicleta, e caminhadas até às margens do rio ou passeios de barco pela barragem onde, quando as águas baixam o suficiente, ainda é possível ver alguns dos sinais de trânsito das antigas aldeias. Mas a estrela do Alqueva é mesmo o céu estrelado, que levou a região a ser a primeira a receber a classificação Starlight Tourism Destination da UNESCO, em 2012.

Mas afinal, quanto é que custa passar uma noite neste paraíso sob céu estrelado? O quarto mais barato custa 75€ em época baixa e o mais caro em época alta fica a 120€, com pequeno-almoço incluído. Também pode alugar a casa toda para umas férias em família, por entre 400€ e 500€.

Carregue na imagem para conhecer melhor o Monte Falperras.