Turismos rurais e hotéis

Sugestão NiT: nesta casa de campo em Sintra só há Bons Cheiros

Na paisagem rural de Odrinhas há um country retreat que é conhecido por ser o turismo de afetos.

Nunca mais vai querer sair daqui.

Elisabeth Arias descreve-se como uma mulher sonhadora, criativa e cabeça no ar. “Daí a ironia de querer e de ter criado este turismo”, conta à NiT a proprietária. Arquiteta e designer de profissão, aos 52 anos a mulher natural do Zaire (atual República Democrática do Congo) pode gabar-se de ter criado um pequeno paraíso em Sintra. Com quatro anos de existência, o Bons Cheiros Country Retreat exibe com orgulho a classificação de Soberbo na Booking — o resultado de uma nota de 9,4 em 10 e nenhuma avaliação abaixo de Normal.

Mas vamos contar esta história com calma, porque é isso que este espaço exige. Calma, serenidade, paciência para absorver cada detalhe. Elisabeth Arias esteve sempre ligada à área da arquitetura (que na verdade nunca deixou por completo, embora se dedique quase em exclusivo a este projeto), mas decidiu tentar algo diferente com uma antiga quinta de família. Era preciso ser louca para acreditar, garante. Ainda bem que o foi.

“As obras começaram em 2008 com várias dificuldades porque é um espaço com uma forte componente eco-friendly”, conta a proprietária Elisabeth Arias à NiT. “Por vezes a saúde falhou, mas em 2012 ou 2013 estava quase tudo.”

A paisagem era nua e protegida (continua a ser), “sem degradés, poesia, árvores, perspetivas”, mas “com a linha do mar no horizonte”. Era tudo o que era preciso. Com esta tela de fundo, Elisabeth Arias começou a trabalhar numa casa de campo elegante mas muito charmosa, cheia de apontamentos únicos.

Com um total de dois quartos e um T1, a casa de campo oferece refeições mediante pedido (os hóspedes adoram) mas tem sempre café, chá, biscoitos ou bolos caseiros na cozinha durante o dia. Lá fora há uma piscina e jardins de lavanda. Lembra-se de que o nome é Bons Cheiros, certo? Não é por acaso.

Muitas das peças que estão na casa foram desenhadas por Elisabeth Arias — e algumas já foram mesmo vendidas, como por exemplo um candeeiro-manequim. “São peças únicas criadas por mim para os cantos e recantos que tinham que as ter lá.” Também há objetos de família espalhados pela casa, que têm um valor sentimental muito forte mas que a proprietária nunca temeu que fossem levados — e que de facto não foram.

“Todas as peças são especiais e já foram mesmo replicadas para vários países por hóspedes e amigos que quiseram peças idênticas”.

Antes de serem um espaço de turismo rural, são um turismo de afetos. É pelo menos isto que defende Elisabeth Arias: “Privilegiamos sempre o respeito por todos os nossos convidados que nos escolhem, para que se sintam quase como se estivessem lá em casa.” É de facto disso que se trata. Há a palavra amiga, a atenção e o cuidado, mas também a luz ligada no quarto à noite ou os docinhos com um moscatel para quem dá o dia por terminado.

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