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Turismos Rurais e Hotéis

O Portobay Flores é um dos segredos mais bem guardados do Porto

Uma repórter da NiT passou a noite no novo hotel da cidade — e teve muita dificuldade na hora de se despedir.
Fica na Rua das Flores.

Quem pensa que os hotéis de cidade são funcionais, modernos e com poucos luxos, está muito enganado. Ou então ainda não conhece o novo hotel de cinco estrelas do Porto. O Portobay Flores foi inaugurado a 6 de setembro e foi precisamente essa a noite em que lá fiquei hospedada. Foi, de longe, a melhor decisão que tomei este ano.

Encontrar o hotel é uma mistura de onde está o Wally com a reação de uma criança que abre o presente de Natal que tanto pediu. Confuso? Eu explico: o edifício fica precisamente no meio da Rua das Flores, entre fachadas luxuosas recuperadas e casas com mais histórias para contar do que a nossa tia-avó. A fachada do edifício, claro, é semelhante a algumas das suas vizinhas, construídas na mesma altura, há cerca de 500 anos. Mas há um detalhe que rouba imediatamente todas as atenções de quem percorre a movimentada rua pedonal: as grandes portas de vidro que deixam antever um pouco do mundo mágico que elas escondem.

Assim que entramos, embarcamos numa viagem que confunde os sentidos, ao mesmo tempo que nos deixa sem palavras. Desde logo a grande escadaria que está de frente para a rua e leva ao restaurante e a alguns dos quartos do hotel faz o contraste perfeito com os luxuosos sofás e candelabros de estilo mais moderno onde podemos descansar. O palacete do século XVI foi todo restaurado, mas mantém todos os traços que nos dizem que estamos, sem dúvida, num sítio com muita história. Já lá voltaremos.

Dirigi-me à receção, onde começam os detalhes que tornam a experiência rica e principesca. Um dos funcionários pegou na mala e conduziu-me ao quarto no que pareceu uma viagem no tempo. Da entrada apalaçada passamos para um corredor moderno, escuro e em pedra, onde há um recanto por onde entra a luz do exterior vinda do jardim e onde, em dias de chuva, cairá a água formando uma pequena cascata interior. Passa ainda por um pequeno ginásio e pelo spa — onde não fui, mas fica a nota para uma próxima. Tem três salas de tratamento, sauna, banho turco e uma piscina com vista para o jardim que convida a relaxar.

O meu quarto era no quinto piso do edifício das traseiras, construído de raiz e com um estilo mais moderno. Um dos pontos mais interessantes de todo o hotel é precisamente a combinação perfeita que o arquiteto Samuel Torres de Carvalho fez entre os edifícios antigo e moderno e a decoração contemporânea da arquiteta Catarina Cabral. Quase nem nos apercebemos de que os dois lados do hotel são assim tão diferentes.

Voltando ao quarto, está equipado com tudo aquilo que possamos precisar. Tem uma casa de banho em mármore com um grande espelho e até secador de cabelo, para quem não quer andar com as tralhas atrás. O duche faz com que cada um possa ter o seu próprio mini spa privado no quarto. Minimalista, em pedra e com uma porta de vidro enorme, tem a opção de chuveiro normal onde pode regular a intensidade de água, ou uma cascata que cai desde o teto e que é ótima para quem quer relaxar depois de um dia a subir e descer as ruas da cidade. Todos os produtos de higiene, desde o champô ao condicionador, gel de duche ou creme de corpo são da Rituals, o que ajuda a criar o ambiente de relaxamento.

O resto do quarto não fica atrás, a começar pela vista. Da janela ampla conseguia ver não só o jardim que liga os dois edifícios do hotel como alguns dos pontos mais altos da cidade. A Sé do Porto é o monumento que mais se destaca, principalmente à noite. A cama é bem espaçosa e muito confortável, de frente para uma televisão quase com a mesma largura.

Em cima da cómoda estava um prato com frutas frescas e havia ainda uma máquina de café, uma chaleira para aquecer água e um minibar recheado de bebidas e chocolates. Não faltava nada para uma boa noite de sono. E foi mesmo isso que tive. Apesar de o hotel ficar no centro de uma rua muito agitada onde não faltam bares e restaurantes, lá dentro quase poderíamos jurar estar numa pacata zona rural.

Antes de descansar, ainda fui espreitar a festa de inauguração do espaço. Claro que não é o tipo de evento a que os hóspedes vão ter acesso todos os dias, mas o hotel estava cheio, com muitos clientes fiéis que não quiseram faltar à abertura. Essa é, aliás, uma das características dos hotéis da Portobay: quem vai, gosta de voltar.

Tive a oportunidade de provar alguns dos pratos servidos nos restaurantes dos vários hotéis do grupo e confesso que fiquei rendida. No caso deste espaço no Porto, o Bistrô Flores fica a cargo do Chefe Nuno Miguel e junta sabores de cozinha tradicional portuguesa com alta gastronomia. Há petiscos como peixe grelhado, massada de peixe e mariscos, polvo assado com limão e tomilho, barriga de leitão, carne DOP grelhada ou mesmo opções vegetarianas.

Para quem preferir uma refeição mais ligeira ou apenas tomar um copo, o Bar dos Maias faz uma homenagem à última família que ocupou o palacete. Está aberto ao público e tem porta direta para a rua, um verdadeiro convite para quem passa, mesmo que não vá ficar hospedado no hotel.

No dia seguinte acordei cedo e quando olhei pela janela do quarto já não havia sinais da festa da última noite. Seria um dia normal neste novo espaço. O pequeno-almoço é servido no restaurante e tem desde os típicos ovos mexidos, bacon e feijão a opções mais saudáveis como fruta, iogurte ou sumos naturais. A doçaria portuguesa não podia faltar e há espaço para miniaturas típicas como natas ou bolas de berlim e outras como bolo de chocolate, donuts ou croissants. As bebidas quentes são servidas à mesa por empregados sempre atenciosos e que não deixam que nada falte em cada uma das mesas.

Antes de ir embora aproveitei para passear um pouco mais pelas outras áreas do hotel e descobrir uma acolhedora sala de leitura onde há até uma lareira para os dias mais frios e um espaço recatado onde podemos ouvir música sem que ninguém nos incomode. Entre o edifício antigo e o novo, com acesso pelo jardim, está ainda um dos recantos mais curiosos de todo o hotel: uma pequena capela barroca deixada quase intacta, ainda que recuperada, construída por Nicolau Nasoni, o artista italiano que deixou na cidade obras como a Torre dos Clérigos.

O Portobay Flores tem 66 quartos e suites, 11 na ala antiga e 55 no edifício novo, e os preços por noite começam nos 150€ — variam conforme o tipo de quarto e a altura do ano. As reservas podem ser feitas através do site do espaço.

Carregue na galeria para conhecer melhor o novo hotel do Porto.