NiTfm live

Turismos rurais e hotéis

No novo espaço do Porto dorme-se mesmo em frente à foz do Douro

O Duas Portas abriu em julho, tem sangue de arquiteto e estreou-se com a casa cheia de profissionais da área. Spoiler: eles adoraram.

Há imensos tipos de aves por aqui (mas ninguém sabe bem porquê).

Esta casa nasceu por amor. Não há outra forma de começar a contar esta história, nem sequer sinónimo que possa ser mais adequado. Foi pura e simplesmente por amor: ao Porto, à arquitetura e às viagens, mas também ao gosto de receber em casa e de conhecer novas pessoas. E à família. Muito amor à família.

“Este é um projeto familiar. Somos quatro pessoas da mesma família: três irmãos e eu, que sou a sobrinha”, explica à NiT Luísa Souto Moura, arquiteta portuense de 34 anos, filha mais velha do arquiteto Eduardo Souto Moura. “Cada um teve um papel muito importante no desenvolvimento do Duas Portas Townhouse: a minha mãe, Luísa Penha, foi a arquiteta do espaço; o proprietário do espaço é outro irmão; e quem está a explorar é uma terceira irmã, Francisca Penha, e eu.”

Parece confuso, mas o que interessa reter é a paixão com que esta família abriu o Duas Portas, o novo espaço de alojamento do Porto. Situado no número 516 da Rua de Sobreiras, esta casa fica mesmo em frente à foz do rio Douro e tem oito quartos, todos diferentes uns do outros. Na decoração privilegiaram-se muitos elementos originais da habitação, que remonta ao século XIX, mas acrescentaram-se móveis especialmente concebidos para o espaço, peças vintage e mobiliário de autor — incluindo de Álvaro Siza Vieira.

Foi em 2014 que a família se decidiu juntar para comprar esta casa que, pensam eles, terá pertencido a um médico: “A casa não era nossa, apesar de termos vivido toda a nossa vida nesta zona. Curiosamente, até tínhamos uma tia que tinha uma grande casa aqui ao lado.”

Quando a habitação com três pisos foi colocada à venda, os quatro elementos da família não hesitaram em adquiri-la. Era o projeto perfeito para se unirem naquele leque de amores e paixões que partilhavam, e o momento ideal para oferecer algo diferente ao Porto. Foi um processo demorado — o primeiro ano, ano e meio, foi passado a desenvolver o projeto, uma vez que se tratava de uma casa antiga que precisava de ser adaptada à atualidade.

“A complexidade do projeto prendeu-se sobretudo na necessidade de encontrar um ponto de equilíbrio entre estes dois universos — uma casa de família antiga, com uma atmosfera da época, e todos os requisitos que hoje em dia são imprescindíveis para o conforto.”

A estrutura do edifício foi mantida, assim como todos os materiais da fachada da frente. Alguns elementos interiores também foram preservados ou recuperados, como é o caso de uma porta interior “lindíssima” que foi reposicionada e colocada na receção, dos mosaicos hidráulicos, da escadaria com uma guarda metálica ou dos rodapés em madeira.

Depois vem tudo o que há de novo — ou pelo menos de novidade nesta casa. Ao nível da decoração, que ficou a cargo de Luísa Penha, houve vários móveis desenhados especialmente para o Duas Portas — é o caso das camas, mesinhas de cabeceira e dos charriots de latão.

“Depois também há uma conjugação com mobiliário de autor, que comprámos ao arquiteto Álvaro Siza — os maples dos quartos e das salas, por exemplo, são da autoria do arquiteto.” E continua: também há peças do Auditório de Serralves e mobiliário vintage da Olaio, uma grande fábrica portuguesa que esteve presente em todas as casas e espaços públicos do País entre a década de 30 e 80. Peças nórdicas também não faltam: “Todas as nossas cadeiras são de design escandinavo.”