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Turismos Rurais e Hotéis

Neste hotel no Porto fui recebida com uma cerveja e estive num cofre gigante

Uma repórter da NiT passou duas noites no Zero Box Lodge e sentiu que não foi uma estadia mas sim uma experiência.
Fotografia do Zero Box Lodge.
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Tenho 26 anos e só no ano passado é que visitei o Porto pela primeira vez. Entretanto, já lá voltei outras duas. A primeira estadia foi num Airbnb (e não foi mesmo nada boa) e na segunda viagem fiquei num hotel comum. Em abril deste ano, fiz mais uma passagem pela cidade e fiquei no Zero Box Lodge. E, adivinhem, foi tudo menos aquilo que estava à espera.

O novo alojamento local, que abriu em novembro de 2018, não é uma unidade hoteleira qualquer. Aliás, define-se como “not your regular hotel” (“um hotel pouco tradicional”, traduzindo livremente) — e isso é visível assim que se entra.

Pensava que ia encontrar um rececionista com a farda tradicional e um balcão simples com computadores e todos os papéis necessários para o check-in. Porém, esperava-me uma funcionária com um look casual mas elegante e uma vitrina cheia de cervejas Super Bock em alumínio, personalizadas com o nome do hotel. Era também nesta garrafa que vinha a chave da minha box (que aqui equivale ao quarto).

Atrás de mim estava uma divisão, conhecida como Free Room, toda em madeira, com uma cama e acessórios relacionados com mergulho. Além de servir de modelo para os quartos dos pisos superiores, descobri um espaço sem preço que pode ser ocupado por quem apresentar propostas artísticas das mais diversas áreas de utilização do espaço. E, na realidade, por quem não se importar de ser observado, uma vez que é todo envidraçado.

“Pensei logo: ‘Onde está o roupeiro? E não há televisão?’ Não, não tinha mesmo nem uma coisa nem outra”

O que é que ainda podia surpreender-me? Aparentemente, tudo, incluindo o elevador. Enquanto subia até ao quarto piso (o alojamento tem cinco), surgia uma projeção de luzes de várias cores num dos lados — senti que estava numa discoteca.

Saí e cheguei ao corredor que, além de dar um efeito de profundidade por causa do espelho que surge ao fundo, tem um longo tapete ilustrado com uma praia portuguesa. Para entrar no meu quarto (ou melhor, box), tive de levantar bem a perna, já que a entrada não fica à altura do chão.

Embora a maioria dos quartos não tenha janelas — uma forma de os hóspedes descansarem a qualquer hora do dia —, o meu tinha. A partir de lá, conseguia ver os dois lados do Porto: os prédios degradados e os empreendimentos mais luxuosos. Ainda assim, esse não foi o primeiro impacto.

O quarto tinha um conjunto para snorkeling.

Pensei logo: “Onde está o roupeiro? E não há televisão?” Não, não tinha mesmo uma coisa nem outra. Na verdade, fui surpreendida com um quarto em madeira, uma cama bem grande, um saco de boxe no meio da casa de banho e um conjunto para fazer snorkeling. Mas vamos à primeira parte. Rapidamente percebi que não ter um sítio para guardar a roupa nem um aparelho para ver filmes tinha sido a melhor coisa a acontecer-me. Assim, não perdia os primeiros momentos no hotel a guardar vestidos e casacos. Além disso, fui logo passear em vez de estar agarrada às séries e notícias do dia.

Quanto ao saco de boxe, uma vez que eram disponibilizadas as luvas, lá dei um ou dois murros ao estilo “Rocky Balboa” (mas sem grande sucesso). O meu namorado fez o round seguinte e safou-se bem melhor.

Quanto à máscara e ao tubo para snorkeling, são para usar nos tanques de submersão (ou piscinas) que vão estar no rooftop do hotel, o terraço A Traineira, que é inaugurado a 16 de maio. Não é que os tanques sejam grandes mas vai precisar de estar algum tempo submerso para aproveitar o sistema de som incorporado em cada um dos tanques — num ouve-se música clássica e no outro metal.

O terraço tem dois tanques com música.

O rooftop, que espreitei ainda inacabado, tem também um espelho de água, onde estão quatro estátuas de Pedra (As Quatro Estações). Há ainda camas para descansar com uma vista peculiar para a cidade, assim como uma traineira (daí o nome no terraço) a servir de bar que foi comprada a um pescador. É lá que pode pedir uma margarita de melancia (8,50€) ou um daiquiri de coco (8€), por exemplo. Não se preocupe, não vai faltar gelo — fica no sítio onde antes era guardado o peixe depois de apanhado.

A inauguração deste spot vai acontecer, então, no dia 16, entre as 18 e as 22 horas (o horário de sexta-feira a domingo), com o DJ Ghetthoven a passar música. O evento vai ter também o ilustrador Vítor Ferreira a fazer uma sessão de live painting e animação digital na sala de cinema do City Club, que fica no quinto piso — sim, este alojamento local também tem cinema. Nos restantes dias, o espaço funciona das 7 às 22 horas.

A traineira entre as camas.

Mas vamos descer e voltar à minha estadia. No piso 0 também estive na BookStop, onde estão várias obras de Gonçalo M. Tavares em mais de 30 línguas. Passei, ainda, pelo Bad Bank Bar, onde provei um cocktail. Nas minhas costas estava uma enorme porta que dava para um cofre. É que antes esteve ali um banco Millenium BCP e o Zero Box Lodge quis manter a história daquele sítio. Entrei e encontrei um verdadeiro monumento com uma alcatifa a imitar azulejo português a preencher todas as paredes, bem como notas falsas em jeito de brincadeira.

No meu último dia decidi também experimentar o restaurante O Carniceiro, que fica no mesmo piso. O ambiente é intimista e incentiva ao convívio, já que as mesas são longas. Tenho de lá voltar para provar mais uma vez os cornetos de maturada com mostarda e cebolas e o toquito frito. Foi uma experiência, perdão, estadia incrível.

No total, o hotel tem 78 quartos, todos com casa de banho privada. Os preços podem ser de 50€, 75€ ou 90€ por noite, dependendo da tipologia do quarto. Os preços mantêm-se assim durante qualquer altura do ano, alterando apenas o valor dependendo da inclusão ou não do pequeno-almoço. As reservas podem ser feitas no site oficial do Zero Box Lodge.