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Turismos rurais e hotéis

Mercedes Country House é o novo turismo rural do Algarve

Os médicos aconselharam Miguel Mendonça a mudar de vida, e foi isso que ele fez. O resultado é maravilhoso.

O espaço é giro e a história é enternecedora.

Em 2013, numa viagem de Hong Kong para Lisboa, Miguel Mendonça teve um AVC. A doença apanhou-o completamente desprevenido: com apenas 38 anos, não tinha qualquer problema de saúde, nem sequer o colesterol alto. Felizmente o acidente vascular cerebral não danificou as suas capacidades cognitivas, infelizmente deixou-o muito debilitado. Tanto que a recuperação durou um ano e o gestor natural de Lisboa acabou por se reformar mais cedo.

“Os médicos aconselharam-me vivamente em mudar de vida”, conta à NiT o proprietário da Mercedes Country House, o turismo rural situado no Medronhal, a 27 quilómetros de Albufeira, que abriu a 17 de julho. “Como há já alguns anos que tinha em mente a ideia de abrir um turismo rural, as condicionantes da vida acabaram por me levar a este projeto.”

E que projeto. Numa propriedade com um hectare onde não falta um espaço tropical, onde se cultiva papaia, abacate, banana ou anona, nasceu a Mercedes Country House. Com um total de nove quartos, todos com o nome de uma região demarcada, há ainda um restaurante só para os hóspedes, uma sala de jogos e uma piscina exterior.

“Comprámos este terreno com uma ruína. Queríamos que fosse central, de modo a que as pessoas pudessem visitar tanto o Barlavento com o Sotavento. Além disso, estamos perto do aeroporto e temos vista para o mar.”

O terreno foi adquirido em 2015, em junho de 2016 começaram as obras. Das ruínas da casa nasceram três quartos, um restaurante e cozinha, num “módulo que respeita a arquitetura original algarvia”. Depois há mais seis quartos, “com uma arquitetura mais contemporânea.”

Tierri Farias foi o arquiteto do projeto, Teresa Campina a responsável pela decoração. Os quartos são bastante semelhantes na forma e tamanho, mas têm sempre pequenos apontamentos que os tornam diferentes — como a cor dos azulejos das casas de banho ou as colchas da cama. Seis quartos têm um jardim privativo, os restantes três um pequeno terraço de onde é possível ver o mar.

No restaurante, de manhã servem-se os pequenos-almoços (até às 11 horas e é quase um brunch, garante Miguel Mendonça), ao almoço há refeições ligeiras como sandes e saladas (ou omeletas com os ovos das galinhas que vivem na propriedade), ao jantar menus mais compostos. A ementa é definida no dia, consoante aquilo que há no mercado, e inclui entrada, prato principal, sobremesa e café ou chá.

Passado um mês, a casa continuava sem nome — todos os que gostavam já tinham sido registados. Acabaram por decidir dar-lhe o nome Mercedes, em honra a uma Pug que tinham há seis anos

“Em média fica por 22,5€, mas eu costumo dizer aos clientes que o máximo são 30€. Varia consoante aquilo que encontramos no mercado nesse dia”. Pois é, tanto pode ser um belo de um tamboril como uns igualmente belos carapaus. Tudo depende do que tem melhor aspeto nesse dia, mas obviamente que os preços variam.

Miguel Mendonça destaca ainda a garrafeira. Ele não se quer gabar, mas tem muito orgulho nela — tem 40 metros quadrados, o vinho está muito bem condicionado e não leva luz direta. Com aproximadamente 400 garrafas, há de tudo, desde vinho branco a moscatéis, referências velhas e marcas “normais”.

“As pessoas gostam de ir lá abaixo escolher o vinho para o jantar. Às vezes dizem-me que querem provar o vinho da região do seu quarto, e nós logo escolhemos uma garrafa. Damos uma importância significativa ao tema das gastronomia e dos vinhos.”

E não nos podemos ir embora antes de explicar porque é que esta casa, que tem a nota de 9,7 em 10 na Booking, tem este nome: Mercedes. “Eu pedi à minha mulher que escolhesse o nome do espaço. Só tinha dois pedidos: tinha de ser facilmente pronunciado pelos estrangeiros e facilmente memorizável.”