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turismos rurais e hotéis

Este hotel tem uma vista 360º sobre as auroras boreais e os fiordes

Além de incrível, o Svart é pioneiro: é o primeiro hotel powerhouse da região, produzindo energias renováveis.
Vai ser assim.

2021. O ano em que Portugal deverá estar livre de plásticos descartáveis. O ano em que algumas teorias da conspiração, obviamente não fundamentadas, dizem que o apocalipse poderá chegar. E o ano em quem que qualquer cidadão do mundo vai poder dormir num dos hotéis mais incríveis de sempre: num glaciar, em estacas sobre um lago, com vistas limpas de 360º para fiordes, montanhas, braços de gelo e auroras boreais.

Na costa de Holandsfjord, no glaciar de Svartisen na Noruega, está a ser construído o Svart, o novo projeto do atelier norueguês de arquitetos, Snøhetta.

Esta empresa já fez algumas das obras mais espetaculares que já viu, como o primeiro restaurante submerso da Noruega ou a nova sede da Ópera e Ballet Nacional. O elemento comum é sempre o enquadramento no ambiente e as preocupações ecológicas.

“Museus, produtos, observatórios de renas, gráficos, paisagens e casas de bonecas recebem o mesmo cuidado e atenção ao propósito” do ambiente, escreve-se no site da empresa.

Agora, o seu mais recente projeto é provavelmente o mais ambicioso: um hotel com uma visão de 360 ​​graus do glaciar de Svartisen, na Noruega. Um alojamento que é projetado como uma extensão circular da costa de Holandsfjord, como se fosse parte da geografia. E como se isto não bastasse, o primeiro hotel “powerbank” Círculo Polar Ártico. Isto porque, ao longo de um período de 60 anos, irá gerar mais energia renovável do que seria necessário para construir, operar e, teoricamente, demoli-la.

Localizado no norte da Noruega, o glaciar de Svartisen é constituído por duas geleiras separadas. No lago com o mesmo nome, a noroeste da cidade de Moi Rana e mesmo em volta do Círculo Polar Ártico, nasce em 2021 este hotel que foi encomendado pela Adventure of Norway.

É a “natureza no Ártico, frágil e pura”, que justifica todas as preocupações ambientais, explica o atelier, citado pela revista “Condé Nast Traveller“. “Temos que respeitar a beleza do local e não estragar o que faz de Svartisen uma atração no primeiro lugar”.

Estamos a falar de uma das regiões mais delicadas do planeta. Tão delicada que o seu equilíbrio afeta também o que se passa no resto do mundo. E ao mesmo tempo, uma região com temperaturas tão baixas que, para manter a habitabilidade, a sua concepção tem de ser muito especial — ou os consumos de energia seriam épicos.

Tudo isto foi tido em conta pelo gabinete de arquitetos. Para obter uma produção de energia positiva, os painéis solares, os poços geotérmicos e toda a geometria do hotel Svart foram otimizados para reduzir o consumo. Vai consumir menos 85% de energia do que a média dos hotéis.

“Construir num ambiente tão precioso vem com algumas obrigações claras em termos de preservação da beleza natural e da fauna e flora do local. Foi importante para nós projetar um edifício sustentável que deixará uma pegada ambiental mínima nesta bela natureza do norte. Construir um hotel de energia positiva e de baixo impacto é um fator essencial para criar um destino turístico sustentável, respeitando as características únicas da zona; as espécies raras de plantas, as águas limpas e o gelo azul da geleira de Svartisen”, diz o sócio-fundador da Snøhetta, Kjetil Trædal Thorsen, citado no seu site.

Mas além dos cuidados na construção, o hotel vai conseguir produzir a energia necessária à sua criação, funcionamento e até eventual demolição, no futuro.

Todo o design é sustentável e, ao mesmo tempo, lindo — de uma forma quase extraterreste: um edifício de madeira circular, assente em postes de madeira, inspirado nas casas de pescadores. A flutuar no lago, sendo acessível a terra por um pontão, onde se pode pescar e caminhar.

Carregue na galeria para conhecer melhor este hotel e outros projetos icónicos do gabinete de arquitetos.