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Turismos rurais e hotéis

Há mais magia em Grândola a partir de 1 de julho

Chama-se Terra do Sempre e pertence a uma família lisboeta que decidiu mudar de vida.

Ele é arquiteto, ela jornalista. Ele chama-se Pedro Gil Ramos, ela Bárbara Alves da Costa. Têm os dois 40 anos, são os dois de Lisboa, e este ano decidiram os dois também que estava na altura de arriscar. Por outras palavras, vão trocar a cidade pelo campo e mudar-se para o Alentejo. Só estão à espera que os miúdos acabem a escola. Com eles vão os três filhos — o Bernardo e a Maria do Mar, dez anos, e a Alice, de três —, a avó Corina, que tem 89 anos, e a empregada doméstica Luísa, que aos 56 anos também decidiu mudar de vida. Juntos, vão abrir a 1 de julho um turismo rural. Chama-se Terra do Sempre e é inspirado nos contos de fadas.
 
“Nós somos de Lisboa e sempre vivemos em Lisboa”, conta Bárbara Alves da Costa à NiT. “A minha família é toda da Avenida de Roma e de Alvalade, a do meu marido da Alameda. Mas sempre gostámos muito do campo, e sempre que podíamos íamos passar o fim-de-semana fora.” 
 

Foi desta forma que descobriram, há seis anos, um monte alentejano em Grândola. No local havia apenas uma casa de quatro assoalhadas, “muito pequena”, conta a jornalista que trabalhou durante 16 anos na SIC. Compraram o monte, começaram a reconstruir o espaço e durante alguns anos até o usaram como casa de férias. Mas queriam ir mais longe — e cumprir um sonho de infância de Bárbara Alves da Costa. “Desde pequena que eu queria ter um turismo rural.”

Abrir um turismo rural e criar os filhos no campo parecia ser a conjugação perfeita. Ao mesmo tempo, porém, era preciso que estivessem perto de Lisboa. “Não queríamos vedar o acesso à cultura e aos amigos”, diz. Até nisso o monte era o local ideal: ficava a apenas a uma hora de Lisboa. No ano passado participaram no quadro comunitário, este ano verificou-se que conseguiram apoios e começaram as obras. Objetivo: criar um verdadeiro local encantado.

“O meu pai e o meu avô são jornalistas. A minha avó é uma contadora de histórias. Eu fui educada a acreditar na magia, a acreditar que tudo é possível”, conta. Foi a pensar neste universo mágico que o turismo rural escolheu uma decoração inspirada nos contos de fadas. E antes de avançarmos, é preciso esclarecer uma coisa: quando falamos em contos, falamos nas histórias originais. “Não é Disney”, explica Bárbara Alves da Costa.

TODOS OS QUARTOS TÊM UMA PAREDE INTEIRA DECORADA COM UMA ILUSTRAÇÃO DE ALEXANDRA PRIETO, A ARTISTA QUE CRIA SAPATOS COM OS SEUS QUADROS.

O nome, Terra do Sempre, surgiu a pensar nesse universo de fábulas. No dia em que criaram o logótipo, Bárbara Alves da Costa pediu à avó para escrever o nome. “Queria que o nome ficasse escrito por ela.”
 
Há sete quartos: o Alice, Peter Pan, E Foram Felizes Para Sempre, Romeu e Julieta, Mil e Uma Noites, Tom Sawyer e Robin Hood. Cada um dos espaços tem uma parede decorada com uma ilustração de Alexandra Prieto, a artista da marca Art on Shoes que cria sapatos com os seu quadros. Têm todos também uma parte da frente em vidro com vista para o campo e terraços ou alpendres privativos.
 
Alguns quartos são duplos mas têm capacidade para mais um bebé ou criança, outros dois são bungalows e outros ainda são familiares. “O nosso espaço é pensado nas famílias”, explica Bárbara Alves da Costa. “Queríamos que fosse assim, até porque nós, enquanto família, sempre tivemos muita dificuldade em encontrar sítios assim.”
 
Quanto à decoração, o mobiliário moderno mistura-se com o rústico e, claro, há muitos pormenores de contos de fadas. O quarto Alice, por exemplo, é inspirado no conto da Alice no País das Maravilhas.Tem dois espaços, um com uma cama de casal e outro com duas camas twins. Quanto à decoração, há uma porta maior e outra mais pequena (para as crianças), um candeeiro em forma de coelho e uma série de chávenas penduradas no tecto. 
 
A pensar no ambiente, o espaço foi desenhado para ser auto-sustentável e amigo do ambiente. Há produtos de agricultura biológica — em breve vão ter um campo de espargos —, painéis solares, água que é aquecida pelo sol e atividades a pensar no ambiente. Passeios a cavalo no campo ou na areia (a praia fica a pouco mais de 20 quilómetros), pic-nics na serra ou aulas de surf também são algumas das atividades que o turismo rural vai ter para oferecer. Ah, e também vai ser possível tomar o pequeno-almoço com um pastor. Chama-se Jorge, tem pouco mais de 30 anos e é um pastor que decidiu seguir os passos do pai — e tem cerca de 600 ovelhas. Os preços ainda estão a ser fechados.
 
O turismo rural tem ainda uma piscina exterior. Quanto às refeições, para o almoço os hóspedes podem usufruir de refeições ligeiras como hambúrgueres, saladas e cuscuz. Aceitam-se jantares sob pedido. Apesar de só abrir a 1 de julho, já há muitos quartos reservados para esse mês. “Já estamos a começar a ficar sem quartos para as primeiras três semanas”, conta Bárbara Alves da Costa à NiT. 
 
Preços a partir dos 120€ por noite. Para todos os quartos: “Porque acreditamos que nenhum quarto é melhor do que o outro.”