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UNO: criadores esclarecem que não pode mesmo juntar a carta +2 à +4

"Nós sabemos que vocês já tentaram", diz a Mattel em jeito de piada e ralhete, num tweet que já se tornou viral.
O drama continua.

É um dos jogos de cartas mais populares em todo o mundo. O UNO é um vício, desafiante e interminável, mas é também fonte constante de dúvidas e debates, já que, embora tenha regras definidas, há muita tendência para que cada pessoa ou grupo as interprete à sua maneira.

Mas não: há regras bem estabelecidas e são para cumprir. Que o diga a distribuidora do jogo, a Mattel, que no inicio de maio publicou um tweet que se tornou viral sobre um dos tais hábitos assumidos como normas.

Trata-se da “regra” — falsa, é agora confirmado — de jogar uma carta +2 depois da + 4, escapando assim ao castigo de apanhar quatro cartas e de passar a vez — e empurrando ainda para a pessoa seguinte um castigo pior: o de tirar seis cartas e passar a vez dela. Pois, diz a Mattel: não pode mesmo fazer isso. 

Se alguém coloca uma carta +4, você deve tirar quatro cartas e passar a sua vez. Não pode pôr uma carta +2 para que a pessoa seguinte apanhe seis cartas. Sabemos que já o tentou”, diz a empresa.

Quase três mil comentários e 44 mil retweets em apenas dois dias espelham a reação do mundo cibernético à notícia —para muitos assumida como consensual e óbvia, mas para outros um absoluto choque e deceção.

A NiT já lhe tinha falado sobre as regras do UNO em 2018, quando uma professora norte-americana partilhou um texto no Facebook depois de ter lido as regras do jogo. Muitos ficaram chocados com as verdadeiras regras — expostas no panfleto de instruções, mas pela maioria simplesmente ignoradas.

Nessa altura referia-se precisamente à carta +4, mas em relação ao momento em que ela devia ser jogada. A maioria das pessoas usa a carta sempre que lhe apetece, mas não é assim. Segundo as regras, só pode lançar esta carta se não tiver nenhuma carta da cor da que está na mesaNeste caso, pode escolher a nova cor e obrigar o jogador seguinte a ir buscar quatro cartas. Se os outros jogadores perceberem que está a fazer bluff, terá que mostrar a sua mão e provar que eles estão enganados. Se não estiverem, tem de ir buscar quatro cartas. Se estiverem, o outro jogador tem de ir buscar seis (as quatro originais mais duas de punição).

O baralho colorido foi criado em 1971 por Merle Robbins, um barbeiro do Ohio, nos EUA, apaixonado por jogos de cartas. Certo dia, apresentou a ideia à família e aos amigos e foi um sucesso imediato. Houve logo outra coisa evidente: uma oportunidade para ganhar muito dinheiro.

A família gastou as poupanças (cerca de sete mil euros) para produzir cinco mil baralhos de UNO e passou a vendê-los aos clientes da barbearia. A estratégia resultou e o jogo chegou a quase todas as casas da cidade.

Pouco tempo depois, Merle Robbins vendeu os direitos do UNO ao dono de uma agência funerária do estado do Illinois — que era fã do jogo — por cerca de 44 mil euros, mais royalties de dez cêntimos por cada venda. Em 1992, o jogo de cartas passou a fazer parte do catálogo oficial da cadeia Mattel.

Se quiser saber se está a jogar ao UNO tão bem quanto pensa, pode fazer o Quizz da NiT com todas as regras verdadeiras e falsas, e ver qual a sua pontuação final.