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Será que, afinal, os blocos do Tetris têm nomes?

A dúvida foi levantada por um post no Twitter que se tornou viral e que revelava nomes estilo Ricky Azul para cada peça.
No início, era assim.

É um dos jogos mais populares do mundo, capaz de atravessar gerações — e ate há especialistas que dizem que é um ótimo remédio para combater o stress. Criado em 1984 por Alexey Pajitnov, o Tetris — videojogo que invadiu computadores, consolas, telemóveis, tablets e até relógios poderia, afinal, ter um nome próprio para cada uma das suas peças, revelou há semanas um programador de jogos de Brooklin, EUA. E a Internet parou de espanto.

Infelizmente, não terá passado de uma partida. Tudo começou a 24 de fevereiro deste ano, quando este homem partilhou um post no Twitter no qual dizia ter encontrado um manual muito antigo para consola do Tetris, onde cada bloco vinha com um nome estranho.

“Encontrei o manual original do Tetris e…alguém sabia que as peças têm nome?”, perguntava Vecchitto no seu tweet, mostrando uma foto comprovativa, em que os nomes das peças eram descritos: Ricky Laranja, Ricky Azul, Cleveland Z, Rhode Island Z, Hero, Teewee e Smashboy.

Talvez pela popularidade do tema, pelo tom ingénuo da publicação ou ainda pela explicação, aparentemente coerente, o mundo acreditou: a publicação tornou-se viral, com milhares de pessoas a partilharem o tweet ou a responderem. E até um site britânico deste segmento escreveu a notícia.

“Acontece que os blocos de Tetris têm nomes e são incrivelmente estranhos”, foi o título de um artigo partilhado em março pelo site de entretenimento “Joe”, onde se explicava o post e se davam alguns exemplos.

“De acordo com este maravilhoso livreto”, dizia o site, os sete tipos de blocos de Tetris têm os próprios nomes individuais, cada um mais rebuscado do que o outro.

O bloco do L deitado seria o Ricky Laranja, o T invertido o Teewee , o I deitado Hero e por aí. Sem grande lógica, porém com uma enorme mística — a tal que foi suficiente para o post original de Vecchitto se tornar viral.

Mas passado uns dias, começaram também a chover partilhas de outros jogadores, que garantiam que tinham o manual original do jogo e que desmentiram a publicação. Conta o jornal argentino “La Nacion” que, enquanto as pessoas se maravilhavam com o acesso a um segredo esquecido nos 35 anos de história do jogo sem sequer questionar a informação, eis que surgiram especialistas com seus próprios manuais, desvendando a piada.

Além de os livretos originais não serem iguais ao que foi apresentado pelo tal programador — nem ter as tais páginas com os nomes —, também mostravam que as peças vinham originalmente marcadas a preto e branco, pelo que não faria qualquer sentido dar nomes com cores.

O próprio autor do primeiro post veio depois a assumir — ou praticamente — a brincadeira, mostrando-se surpreendido com a dimensão a que chegou o caso. Alguns dias mais tarde escreveu numa resposta à sua publicação original: “Uau, isto explodiu. Todas as pessoas que lêem esta resposta são legalmente obrigadas a ouvir ‘What’s Going On’, de Marvin Gaye, na íntegra. Além disso, não é relacionado, mas também devem assistir a ‘Mulholland Drive'”.

O Tetris terá sido criado em 1984 pelo russo Alexey Pajitnov, que na época trabalhava no Centro de Computação da Academia de Ciências de Moscovo, durante a Guerra Fria. O especialista tentou criar uma quebra-cabeças para testar os novos computadores pessoais e foi ajudado por jovem estudante chamado Vadim Gerasimov, que tinha 16 anos.

O primeiro jogo teve sete peças feitas com blocos quadrados —  a base para as que se seguiriam — e assim surgiu o nome Tetris (nome oficial tetriminós) da palavra grega tetra, cujo significado é quatro. Pajitnov inspirou-se num jogo tradicional russo, o Pentaminos, que consiste em encaixar blocos de madeira de diferentes formas num espaço.

A sua popularidade é atribuída ao fato de ter um design e utilização simples e para todas as idades, sendo no entanto uma fonte de entretenimento praticamente ilimitado e inigualável.