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Na cidade

Teletetrabalho pode acabar com as horas de ponta e melhorar a mobilidade

Especialistas defendem que o confinamento comprovou como medidas e ajustes simples resolvem problemas com décadas.
Isto é tempo perdido, salientam.

Durante o confinamento imposto pela pandemia do novo coronavírus não houve trânsito, a poluição da maioria das cidades, incluindo portuguesas, melhorou, não se perderam horas em filas de carros e esperas de transportes — estas foram transformadas em tempo de produtividade.

Consultado pela Lusa, Paula Teles, uma especialista em Mobilidade, defende que o teletrabalho pode ser uma solução relativamente simples que se procurou, durante décadas, para os graves problemas de mobilidade. Diz que também aqui este consegue “aplanar a curva”: acabar com os picos das horas de ponta, sendo o teletrabalho apenas uma das estratégias a par de novos horários laborais, uso de bicicleta e serviços indispensáveis serem colocados a distâncias a pé de zonas residenciais.

Sobre a bicicleta e a circulação a pé, a especialista aponta-os como “o futuro”, assim se criem corredores seguros para esta opção dois-em-um, que poupa emissões de carbono e exercita o corpo. Em todo o caso, sustenta que o teletrabalho “veio para ficar”, até por ser “uma das áreas em que se pode atuar rapidamente”.

Outra solução é “mudar horas de trabalho” e Paula Teles defende que “o Estado tem de dar o exemplo”, colocando quem não tem filhos ou já os tem autónomos com horários distintos dos restantes funcionários, para “aplanar as horas de ponta”.

Também Álvaro Costa, professor na Universidade do Porto, considera o teletrabalho “uma grande solução”, que poderá deslocar pessoas para “cidades de média dimensão”, onde mais facilmente circulam a pé, sobretudo se o atual receio de contágio nos transportes públicos aumentar o uso do automóvel, bloqueando as grandes cidades. Mas avisa: “não acho que vá haver menos congestionamentos, mesmo mantendo algum teletrabalho”.

À Lusa, Rosário Macário, professora e investigadora do Instituto Superior Técnico, aponta o “transporte partilhado”, entre vizinhos ou amigos, como solução para “o problema sério de receio” de circular nos transportes públicos mas admite que o teletrabalho vai permanecer com “uma utilização muito mais intensa”, nomeadamente em “reuniões internacionais”.

“As ferramentas estavam disponíveis. A resistência era cultural. A covid-19 trouxe essa evidência: em menos de 48 horas toda a gente se adaptou ao teletrabalho”, destaca.