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Sem ação urgente, a subida do nível dos oceanos vai afetar mil milhões de pessoas

Novo estudo da ONU confirma que os oceanos estão a sofrer com as alterações climáticas e que é preciso agir imediatamente.
Novo alerta da ONU.

O cenário não é positivo e a intervenção é agora urgente. Se não houver uma redução imediata das emissões de gases com efeito de estufa, os gelos permanentes vão continuar a derreter a um ritmo nunca registado na história, o que levará o nível dos oceanos a uma subida que pode ter consequências em mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

O alerta foi feito esta quarta-feira, 25 de setembro, por um novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) da ONU. Segundo o estudo, revelado pela Lusa e citado pelo “Observador“, o oceano tem vindo a aumentar de temperatura desde 1970, absorvendo “mais de 90 por cento do calor em excesso no sistema climático” e tendo ondas de calor marinho duas vezes mais frequentes desde 1982.

O nível médio global do oceano está a subir, dizem os cientistas, sendo a assinalar uma aceleração nas últimas décadas devido às perdas cada vez maiores das massas de gelo da Gronelândia e da Antártica e da perda continuada da massa dos glaciares: o IPCC aponta para uma subida “sem precedentes” do nível médio global dos oceanos entre 2006 e 2015 em relação ao último século, a um ritmo de 3,6 milímetros por ano.

Com isto, surgem os “aumentos da precipitação e de ventos tropicais ciclónicos, com episódios climáticos extremos que representam um risco para as zonas costeiras”.

Para o futuro, a situação só parece agravar. Durante este século, os oceanos deverão sofrer alterações “sem precedentes”, com temperaturas mais altas, água mais ácida, com menos oxigénio e condições alteradas de produção de recursos, dizem os cientistas do painel.

“Ondas de calor marinhas e fenómenos extremos ligados aos (fenómenos meteorológicos) ‘El Niño’ e ‘La Niña’ deverão tornar-se mais frequentes”, preveem os especialistas do IPCC, que ressalvam que “a frequência e a gravidade destas mudanças será menor num cenário de emissões de gases com efeito de estufa reduzidas”.

As alterações em todo este equilíbrio podem afetar mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo: desde os cerca de quatro milhões que vivem no Ártico aos 680 milhões das zonas costeiras e aos 670 milhões das zonas de alta montanha, que poderão chegar aos 840 milhões dentro de 30 anos.