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Alerta à população: a hora está quase a mudar (mas é mesmo uma das últimas vezes)

Bruxelas insiste que as alterações do relógio na UE devem acabar a partir de 2021. Ou seja, termina o regime atual.
O fim do atual regime pode estar para breve.

Todos os anos, por duas vezes, se repete o ritual: em outubro atrasamos o relógio uma hora, para entrar naquele que é chamado o horário padrão ou de inverno; e, em março, voltamos a adiantá-lo para esticar ainda mais os dias e iniciar a hora de verão.

Nos últimos meses, estas mudanças têm sido alvo de estudo e do debate mais aceso sobre o tema de que há memória. As decisões foram sendo adiadas mas tudo indica que uma coisa para já é certa: por enquanto, este ano, a hora ainda vai mudar.

Muda na madrugada do domingo de 31 de março: atenção, não é já este domingo, mas sim o próximo. Nesse dia, mais precisamente à uma da manhã, deve adiantar os ponteiros uma hora. Os smartphones e computadores deverão fazê-lo por si, mas convém confirmar.

A ideia na mudança de relógio é maximizar a luz solar nas horas de atividade humana, já que os dias começam a crescer na primavera e depois diminuem no outono. Mas os benefícios dessa alteração são controversos e têm sido alvo de muitas teorias — sobretudo no último ano.

Num mega inquérito realizado pela União Europeia em 2018, 84 por cento de cerca de 4,6 milhões de participantes manifestaram-se a favor do fim das mudanças do relógio. Isto levou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a pedir que o sistema fosse descartado já a partir deste ano, com os países a ficarem responsáveis por escolher entre viver permanentemente nas horas de inverno ou de verão.

Mas, no passado dia 4 de março, os eurodeputados deram ouvidos aos pedidos de vários ministros nacionais — nomeadamente por mais estudos, antes de uma decisão final — e optaram, em reunião, por atrasar as medidas. Bruxelas quer ter mais apoio e entusiasmo entre os estados membros para não fragmentar a União Europeia num assunto tão delicado e onde a coordenação é essencial.

Por isso, é agora certo que qualquer nova regra não chega antes de 2021; mas parece também cada vez mais claro que o fim do regime bi-horário vai mesmo ser real e que a última mudança de relógios acontece, no máximo, daqui a dois anos.

Sendo decretado o fim da mudança de hora, os países da União Europeia poderão escolher (à partida até 2020) se preferem o horário de verão ou de inverno de forma permanente. A maioria ainda não se posicionou formalmente mas, no final do ano passado, o primeiro-ministro português, António Costa, manifestou a intenção de Portugal simplesmente manter a mudança, duas vezes por ano — a Grécia e o Reino Unido também queriam tudo como está.

Costa citou na altura o Observatório Astronómico de Lisboa, que tem recomendado que em Portugal devemos manter este regime bi-horário, com uma hora de verão e uma de inverno; mas agora é o próprio Observatório a admitir à NiT que, se Bruxelas decretar o fim deste regime, ele acaba mesmo.

“A Comissária dos Transportes [Violeta Bulc] disse que se adiou o fim da mudança para 2021 e isto, só por si, já é uma tomada de posição: de que o atual regime vai mesmo acabar, só que mais tarde do que se pensava. E a acontecer, não sei se os países terão autoridade para escolher não mudar a sua situação. Provavelmente não, porque tem de haver coordenação. Com o que sabemos agora, é assim muito provável que em 2021 a mudança da hora acabe mesmo”, explica à NiT, comentando a reunião de 4 de março, o diretor do OAL, o professor Rui Agostinho.

A organização portuguesa continua a manter que o fim desta rotatividade não faz grande sentido, pelo menos para Portugal, por dois motivos. Por um lado, por considerar que o inquérito feito por Bruxelas não é representativo. “Não teve em conta a real distribuição geográfica das pessoas — 60 por cento dos votantes eram da Alemanha —, nem sequer foi estratificada por idades ou géneros de maneira proporcional à população, que é o que se faz para ter uma amostra estatisticamente representativa da opinião real das pessoas. Também houve uma clara influência de associações que pedem o fim da mudança e votam nesse sentido, em força, à primeira oportunidade. Simplesmente, não é representativo, é altamente enviesado”, frisa.

Além disso, explica, Portugal já testou por diversas vezes acabar com a mudança de hora — em variados anos, no início do século, experimentou manter a de inverno e, segundo os documentos do OAL, entre 1967 e 1975 experimentou manter a de verão. Acabou por voltar sempre às mudanças duas vezes por ano.

“Já experimentámos manter a hora? Já. E resultou? Eu penso que não, a avaliar pelo facto de se ter sempre escolhido voltar aos dois horários”, mantém.

Tal como muitos ministros europeus, o observatório pede mais estudos antes de a decisão ser final. Os argumentos apresentados por várias entidades europeias é o de que o desaparecimento da mudança e as eventuais coordenações entre os países que escolhem inverno ou verão terão um impacto sobre os horários dos transportes, aviões, agricultura, o sistema bancário.