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Na cidade

Este roteiro leva-o aos locais mais secretos do Médio Tejo

Uma repórter da NiT esteve em Abrantes, Vila de Rei e Mação, e assistiu aos espetáculos do Caminhos da Água.
O Caminhos volta em Outubro.

Chama-se Caminhos e é uma das apostas culturais da região do Médio Tejo, que abrange os concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha.

Criado em 2017, liga estes treze municípios, com uma oferta cultural dividida em três alturas do ano. Em abril, o primeiro ciclo chama-se Caminhos do Ferro. Em julho, e para ajudar a refrescar, decorre o Caminhos da Água. Já em outubro, o último ciclo leva os visitantes até aos Caminhos da Pedra.

Explorando estes três elementos da região, o programa contempla propostas para todas as gerações, passando pela música, teatro, dança, circo contemporâneo, teatro de rua e percursos artísticos. E o melhor de tudo: é gratuito.

Para dinamizar a região, o programa cultural propõe ainda roteiros turísticos que pode fazer durante o dia, ou entre espetáculos, nesta que é uma das regiões mais bonitas do País. Uma repórter da NiT fez isso mesmo.

Entre os dias 19 e 21 de julho, visitou Abrantes, Vila de Rei e Mação, e assistiu a alguns dos espetáculos do Caminhos da Água. A sexta-feira, 19 de julho, começou com uma viagem de comboio que ligou Lisboa-Oriente à pitoresca estação de comboio de Abrantes.

A primeira paragem fez-se na Praia Fluvial da Aldeia do Mato. O espaço, com bandeira azul, está perfeitamente inserido na natureza. Em plena Albufeira da Barragem do Castelo de Bode, tem uma piscina delimitada com blocos flutuantes e ligada por uma ponte.

Para os mais aventureiros, qualquer ponto da praia é bom para mergulhar, apesar do lodo e das pedras. O local é ainda indicado para a prática de wakeboard ou cable wakeboard. A primeira, depende de um barco, na segunda, mais ecológica, os praticantes seguram-se a um cabo que liga as duas margens da baía.

Até dia 30 de setembro, há wakeboard gratuito num dos cinco cable parks do lago de Castelo do Bode (Aldeia do Mato, Fernandaires, Lago Azul, Montes e Trízio), de segunda a sexta-feira, entre as 10 e as 14 horas.

Já caía a noite quando o Chef Vítor Felisberto nos recebeu na sua casa. O restaurante Casa Chef Vítor Felisberto está aberto há um ano e encontra-se em Alferrerede. É um espaço incontornável na região. E, apesar da entrada demasiado discreta, lá dentro esconde-se um restaurante acolhedor, com um atendimento e comida notáveis.

Pode começar com uma farinheira à Brás (6,50€), como entrada, antes do ex libris da casa: o assado misto (18€). É um prato que começa a ser preparado no dia anterior. Pelas 22 horas, a carne de vitela e cachaço de porco preto, vão a cozinhar num forno a lenha com um preparado com água, vinho, alho francês, sal e pimenta.

Só às 10 horas é que a carne é retirada do forno para ser servida depois, a partir das 18 horas. É servida numa travessa de barro, com batatas e um molho a borbulhar, acompanhada com migas. A carne desfaz-se na boca. É um prato para dois, mas para quem coma bastante bem. Aliás, é algo recorrente na região, doses muito bem servidas.

A noite terminou com o espetáculo da companhia espanhola XA! Teatre, de teatro de rua e circo contemporâneo. Inserido no tema do programa, a performance teve como ponto central a água. Os três artistas atuaram na Praça Barão da Batalha onde imperaram o movimento, a expressão corporal e baldes de água; com dança aérea, acrobacia e andas à mistura.

Para se hospedar em Abrantes pode optar pelo Abrant’Inn, um alojamento local bem no centro da cidade. A média dos preços para uma noite em quarto duplo é de 50€. Tem à disposição uma cozinha, com pequeno almoço incluído.

Para sábado, estava reservada a caminhada pelos Passadiços do Penedo Furado (recorde o artigo sobre este local incrível) e um almoço no restaurante O Cobra. Aqui conquistam-nos logo pelo couvert, com o queijo, pão, broa, chouriço, morcela, peixinhos da horta e courgette frita.

A sopa de peixe (2,90€) e o bacalhau à Cobra (14€) foram as escolhas, que não desiludiram. Mas o melhor, foi o pudim à Vila de Rei (4,95€), acompanhado por um cálice de vinho do Porto. O passeio por Vila de Rei leva-nos até Mação.

O alojamento Casas do Lagar é o local indicado para relaxar e desfrutar das suas férias, ou de uma escapadinha de fim de semana. Antigo lagar de azeite, o espaço deu lugar a um alojamento, aberto há três anos, com capacidade para 30 hóspedes.

Divididos por seis casas de pedra totalmente equipadas, manteve a memória das origens. Cada espaço tem o nome de algo relacionado com um lagar de azeite. A Fanga (medida para pesar o azeite), o Pote (para guardá-lo), o Zambujo (um tipo de oliveira), Tarefa (instrumento para sangrar o azeite), Capacho (para filtrá-lo), e o Búzio (utilizado para chamar os trabalhadores do lagar).

Os donos do espaço são de uma simpatia difícil de encontrar. E, se quiser dicas da região, ou simplesmente saber mais sobre a história do alojamento, estão disponíveis para conversar. Durante o verão, e até ao final de setembro as reservas são de estadia mínima de duas noites e custam 130€ (por casa). Depois desse mês, o preço baixa consoante o número de noites reservadas.

O pequeno-almoço é maravilhoso, com croissants caseiros. A propriedade tem ainda uma piscina, camas de rede e um relvado. De energias recuperadas, a noite aguardava pela atuação de Fausto Giori no Largo dos Combatentes.

A personagem de sua criação, Demenzio, é excêntrica, de cabelos em pé, e bastante desastrada. Uma mistura de teatro de rua com circo contemporâneo, que arrancou dezenas de gargalhadas, de adultos e miúdos, ao longo de toda a atuação.

Antes do regresso, no domingo, dia 21, era tempo de visitar a Praia Fluvial de Ortiga. Este local é o que mais se assemelha a uma praia de mar. Tem areia, área concessionada com toldos, uma piscina criada na barragem e um slide, além do bar.

Se for até lá, não deixe de passar pelo restaurante O Bigodes. Outro espaço incontornável da região. Ao entrar percebe logo a origem do nome. O dono, um senhor com um farto bigode com pontas em caracol, recebe-o com grande simpatia.

Aqui, o couvert é também quase tão bom como o resto da refeição. É servido um dos melhores presuntos que provavelmente provou nos últimos tempos, chourição, jaquinzinhos e três tipos de pão.

A carta tem várias sugestões, tanto de carne como de peixe do rio. Tem, por exemplo, barrigas de leitão (11€), assalhão de porco preto (12,50€), savel (16€), enguias (15€), ou cabrito (16€).

O próximo programa cultural, Caminhos da Pedra, acontece de 11 a 13, e de 18 a 20 de outubro. Os Caminhos da Pedra esculpem-se no Entroncamento, Ourém, Sardoal, Sertã, Torres Novas, e Vila Nova da Barquinha.

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