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Portugal selvagem: as cascatas secretas que tem de descobrir este verão

De norte a sul e nas ilhas, Portugal é um paraíso de quedas de água e trilhos na natureza. A NiT tem o roteiro perfeito.

É quase uma certeza matemática: o verão chega e meio Portugal faz-se à estrada rumo ao sul. Horas ao volante, intervaladas por uma bifana numa área de serviço e por um lanche rápido em Canal Caveira (ou numa qualquer bomba de gasolina da A2). Objetivo: chegar às praias quase mediterrânicas do Algarve — que por estes dias são tão concorridas como a Praça Vermelha, em Moscovo, durante o Mundial de futebol. A água morna e a areia fina até podem chegar para convencer o inglês mais pálido, mas a probabilidade de estender a toalha em cima do vizinho é tão alta que o melhor é pensar em alternativas. 

O que lhe propomos é um roteiro diferente. Sem praias capazes de rivalizar com os melhores spots ilhas gregas e sem noitadas na Kadoc ou festas da espuma até ao raiar do sol. Aqui é tudo mais difícil, cansativo e desafiante. Falamos de alguns dos segredos mais bem guardados da geografia portuguesa, perdidos na montanha ou nas profundezas do interior de Portugal. Não há espreguiçadeiras ou guarda-sóis concessionados, bolas de berlim ou vizinhos indesejados — o mais provável é ter uma lagoa inteira só para si. Mas prepare-se, vai precisar do seu espírito mais aventureiro.

A água é gelada e cristalina. E doce. E em vez de areia para estender a toalha, terá de se ajeitar em cima de uma pedra rugosa e austera — muito longe daquele banho de sol com que sonha desde meados de abril. Há outras desvantagens: são sítios com difíceis acessos, onde para chegar é preciso embrenhar-se no monte, subir e descer por caminhos de cabras, orientar-se sem telemóveis ou mapas digitais a dizer-lhe onde fica o seu destino. No limite, pode perguntar na aldeia qual o melhor caminho. 

Em Cortes do Meio, por exemplo, no coração da Serra da Estrela, as cascatas e piscinas naturais ficam a meia-hora a pé da povoação. Mas se perguntar na aldeia todos conhecem o lugar: um desfiladeiro por onde corre a água diretamente da nascente. Em maio, com a neve a derreter na serra, o caudal aumenta e a temperatura é ainda mais baixa. Para quem está habituado ao Algarve, entrar nestas águas é como sair da sauna e mergulhar no gelo. Mas acredite nisto: não há banho mais revigorante.

O cenário destas piscinas naturais, no concelho da Covilhã, repete-se um pouco por todo o País, de norte a sul, ilhas incluídas. Riachos e regatos límpidos, cascatas que parecem saídas de um postal, lagoas que pedem mergulhos e banhos revigorantes. Porque verão não tem de ser obrigatoriamente passado na praia, vale a pena agarrar num mapa (daqueles a sério) e começar a rabiscar uns trilhos. A recompensa? Um mergulho gelado, como nunca experimentou. 

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