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Portugal poderá perder cerca de 40% das suas praias

Novo estudo prevê que metade das praias de areia de todo o mundo desapareça até ao final do século.
Época pode começar a 1 de junho.

As alterações climáticas são uma realidade e como consequência disso não teremos apenas estações do ano menos definidas. É provável que até ao final do século cerca de metade das praias de areia de todo o mundo tenham desaparecido.

De acordo com um estudo publicado por cientistas europeus na revista “Nature Climate Change” esta segunda-feira, 2 de março, as linhas costeiras já estão a ser afetadas pelas alterações climáticas e isso vai intensificar-se nos próximos anos. No caso português poderão ser perdidas perto de 40 por cento das praias, enquanto esse valor pode subir para 50 por cento no resto do mundo.

Para chegar a estas conclusões os cientistas analisaram imagens de satélite recolhidas entre 1984 e 2015 e tentaram, a partir desses dados, prever o que poderá acontecer nos próximos anos. Essas consequências podem ser influenciadas por fatores imprevisíveis como as tempestades, a subida do nível da água do mar e a ocupação da costa, mas ainda assim é possível criar cenários prováveis.

O pior cenário calculado pelos investigadores pressupunha um aumento médio global da temperatura de 4ºC até 2100, o que significaria que metade das praias de areia de todo o mundo ficariam expostas a um grave perigo de erosão e que poderiam ver os seus areais cortados até 100 metros. No caso de Portugal significa que 39,5% das praias ficariam perdidas.

“É provável que desapareçam”, afirma Michalis Vousdoukas, um dos autores do estudo, ao “New York Post”.

O cenário menos assustador foi calculado com base num aumento de apenas 2ºC globalmente, o que resultaria em apenas 40% de perda de areais. Com estas premissas, Portugal perderia apenas 29,8 por cento das praias até 2100.

Além destes números globais elevados, há locais que poderão perder ainda mais área, como os casos da Guiné-Bissau e da Gâmbia, cujas perdas poderão ultrapassar os 60 por cento. No que respeita à linha de costa, a Austrália poderá ser das mais afetadas, com uma perda estimada de 12 mil quilómetros. Outras zonas como a Amazónia, o Suriname, o Leste e Sudeste da Ásia, as ilhas Comoros e o Pacífico Tropical Norte poderão estar também entre as mais afetadas por este problema.

“Além do turismo, as praias de areia oferecem com frequência o primeiro mecanismo de protecção contra as tempestades e as inundações, pelo que sem elas os impactos dos fenómenos climáticos extremos vão ser provavelmente mais fortes”, avisa o mesmo investigador, citado pelo “Público”.